16.4.07
Diagnóstico e Tratamento da Hepatite C pelos Planos de Saúde.
TRATAMENTO DA HEPATITE C PELOS PLANOS DE SAÚDE
COBERTURA DE EXAMES E DO INTERFERON PEGUILADO
COBERTURA DE EXAMES E DO INTERFERON PEGUILADO
LEGISLAÇÃO - Aposentadoria por hepatopatia grave
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 2.998, DE 23 DE AGOSTO DE 2001
OS MINISTROS DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL E DA SAÚDE, no uso da atribuição que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal de 1998, e tendo em vista o inciso II do art. 26 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e o inciso III do art. 30 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, resolvem:
Art. 1O As doenças ou afecções abaixo indicadas excluem a exigência de carência para a concessão de auxílio-doença ou de aposentadoria por invalidez aos segurados do Regime Geral de Previdência Social - RGPS:
I - tuberculose ativa;
II - hanseníase;
III- alienação mental;
IV- neoplasia maligna;
V - cegueira
VI - paralisia irreversível e incapacitante;
VII- cardiopatia grave;
VIII - doença de Parkinson;
IX - espondiloartrose anquilosante;
X - nefropatia grave;
XI - estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);
XII - síndrome da deficiência imunológica adquirida - Aids;
XIII - contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; e
XIV - hepatopatia grave.
Art. 2O O disposto no artigo 1º só é aplicável ao segurado que for acometido da doença ou afecção após a sua filiação ao RGPS.
Art. 3O O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS adotará as providências necessárias à sua aplicação imediata.
Art. 4O Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.
ROBERTO BRANT
Ministro da Previdência e Assistência Social
JOSÉ SERRA
Ministro da Saúde
PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 2.998, DE 23 DE AGOSTO DE 2001
OS MINISTROS DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL E DA SAÚDE, no uso da atribuição que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal de 1998, e tendo em vista o inciso II do art. 26 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e o inciso III do art. 30 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, resolvem:
Art. 1O As doenças ou afecções abaixo indicadas excluem a exigência de carência para a concessão de auxílio-doença ou de aposentadoria por invalidez aos segurados do Regime Geral de Previdência Social - RGPS:
I - tuberculose ativa;
II - hanseníase;
III- alienação mental;
IV- neoplasia maligna;
V - cegueira
VI - paralisia irreversível e incapacitante;
VII- cardiopatia grave;
VIII - doença de Parkinson;
IX - espondiloartrose anquilosante;
X - nefropatia grave;
XI - estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);
XII - síndrome da deficiência imunológica adquirida - Aids;
XIII - contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; e
XIV - hepatopatia grave.
Art. 2O O disposto no artigo 1º só é aplicável ao segurado que for acometido da doença ou afecção após a sua filiação ao RGPS.
Art. 3O O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS adotará as providências necessárias à sua aplicação imediata.
Art. 4O Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.
ROBERTO BRANT
Ministro da Previdência e Assistência Social
JOSÉ SERRA
Ministro da Saúde
LEGISLAÇÃO Quem é isento do pagamento do imposto de renda em caso de aposentadoria por invalidez?
À partir de janeiro de 2005, aquela pessoa que tiver desenvolvido hepatopatia grave.
LEI No 11.052, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2004
Altera o inciso XIV da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, para incluir entre os rendimentos isentos do imposto de renda os proventos percebidos pelos portadores de hepatopatia grave.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 6o ............................................................................
XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ....................................................................................." (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor em 1° de janeiro do ano subseqüente à data de sua publicação. Brasília, 29 de dezembro de 2004; 183° da Independência e 116° da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Antonio Palocci Filho
Humberto Sérgio Costa Lima
Amir Lando
LEI No 11.052, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2004
Altera o inciso XIV da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, para incluir entre os rendimentos isentos do imposto de renda os proventos percebidos pelos portadores de hepatopatia grave.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 6o ............................................................................
XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ....................................................................................." (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor em 1° de janeiro do ano subseqüente à data de sua publicação. Brasília, 29 de dezembro de 2004; 183° da Independência e 116° da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Antonio Palocci Filho
Humberto Sérgio Costa Lima
Amir Lando
9.4.07
5.4.07
85 perguntas que podem salvar sua vida.
VEJA ouviu 35 médicos de catorze especialidades sobre um novo tipo de paciente: ele chega ao consultório bem informado sobre a sua saúde
Veículo: Revista Veja
Seção: Especial
Data: 14/04/2006
Da internet surgiu um novo tipo de paciente: ele chega ao consultório médico cada vez mais informado sobre sua saúde e os progressos da medicina. Segundo levantamento da consultoria americana Pew Internet & American Life Project, oito de cada dez usuários da rede já recorreram a sites especializados em saúde. No Brasil, estima-se que 10 milhões de pessoas corram para o computador em busca de ajuda para problemas médicos. Os melhores conhecedores dos caminhos da rede conseguem acesso a trabalhos acadêmicos, imagens e até vídeos profissionais detalhando cirurgias complexas. Grupos de usuários da internet dão relatos de seus tratamentos, trocam impressões sobre remédios, informam-se sobre drogas que estão em diferentes estágios de aprovação pelas autoridades de saúde. Com tanta informação, um paciente com algum conhecimento geral pode chegar diante de um médico especialista com uma carga de informações até maior do que a do profissional. Isso ajuda? Muitos médicos acham que não. Saber demais na teoria pode aumentar a ansiedade do paciente e levá-lo a se autodiagnosticar e a se automedicar. Mas, por outro lado, saber mais sobre os limites da medicina pode ajudar o paciente a dialogar melhor com seu médico. Diz Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com base na experiência dos últimos trinta anos: "O acesso à informação médica na internet criou pacientes mais questionadores e gabaritados para expor suas dúvidas".Há pelo menos dois desdobramentos desse fenômeno. O primeiro deles é que o paciente participa mais ativamente das decisões sobre sua própria saúde e pode pesar, junto com o médico, os riscos e os benefícios dos tratamentos. A situação é positiva sobretudo quando a decisão a ser tomada é de natureza delicada – e arriscada – como uma intervenção cirúrgica.Um segundo resultado benéfico para o paciente bem informado é que ele tem mais condições de avaliar a qualidade de uma consulta e, portanto, de exigir do médico que conheça – e fale – sobre as descobertas mais recentes de sua especialidade. Com pacientes mais curiosos, o tempo de um atendimento típico num consultório particular aumentou. Estimam os especialistas que cerca da metade do tempo das consultas passou a ser gasto com o esclarecimento de dúvidas trazidas pelo próprio paciente. Isso força os médicos a se atualizarem. Em menos de uma década, o número de novos profissionais de saúde que se tornaram usuários da maior biblioteca virtual científica da América Latina, a Bireme, quase triplicou. Por essas razões, os especialistas apostam que o aumento da utilização dos recursos médicos on-line vai levar a uma melhora constante no relacionamento do médico com os pacientes, em benefício de ambos.
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O outro lado do mesmo fenômeno preocupa os médicos. O excesso de informações circulando na rede abre caminho para a automedicação – adversária de um bom tratamento médico. Pior ainda: quando isso ocorre, é freqüente que as pessoas tomem suas próprias decisões clínicas, como passar a tomar um novo medicamento, baseadas nos resultados de pesquisas conduzidas por instituições de reputação duvidosa ou a partir de blogs produzidos por leigos, que nada entendem sobre o que apregoam na rede. Um outro efeito colateral comum da abundância de dados na rede, segundo os médicos, é que alguns pacientes ficam tão confiantes que passam a se sentir mais especialistas que o especialista – e desconfiam de toda e qualquer orientação médica que não esteja de acordo com a informação que colheram como autodidatas. É o tipo de paciente que olhará o médico com ceticismo apenas pelo fato de ele não ter prescrito uma droga recém-chegada ao mercado – situação que na maioria das vezes não é resultado da ignorância médica, mas sim da avaliação de que o tal remédio pode não funcionar para o caso em questão. Adverte o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, professor da Universidade de Campinas: "O paciente tende a se informar por dados gerais e isso pode criar resistência em entender que, na medicina, cada caso requer um determinado procedimento".O ponto ideal para uma boa consulta, portanto, é aquele em que o paciente usa as informações que colheu para fazer as perguntas certeiras – aquelas cuja resposta do médico leve ao melhor tratamento possível. Para cada doença, existe um conjunto de questões consideradas prioritárias. Depois de entrevistar 35 profissionais de quinze diferentes áreas da medicina, VEJA produziu uma lista com as perguntas que, feitas no consultório, têm grande repercussão positiva na precisão do diagnóstico e do próprio tratamento. A resposta para elas pode levar à melhora da qualidade de vida e, em alguns casos, salvar vidas. As perguntas dizem respeito às dez doenças que mais comprometem a saúde dos brasileiros – como a dor de cabeça e as alergias – ou as que ocupam as primeiras posições no ranking das grandes causas de morte no Brasil, como o câncer e as doenças cardiovasculares. O resultado está nas catorze páginas a seguir.
DOENÇAS VIRAIS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
O que são: conjunto de doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por via sexual, sendo o HPV e o HIV os mais freqüentes
Quantas pessoas atingem no Brasil: 1 milhão (HIV) e 34 milhões (HPV)
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE HIV POSITIVO
Outro exame é tudo que o incrédulo paciente quer fazer... Ele deve insistir com o médico?
Um bom médico vai, com toda a certeza, pedir um teste definitivo para detectar a presença do vírus e saber o grau de evolução da doença. Se o médico não pedir novos exames, insista. Pergunte se não seria esse o procedimento correto e por quê.Vão ser feitos novos exames, mas, por segurança, o paciente deve se comportar socialmente como se já tivesse HIV? Sim. O médico vai iniciar o tratamento no momento em que não restarem dúvidas sobre a presença do HIV. Mas ele deve recomendar ao paciente que evite desde já contatos sexuais de risco para o parceiro.O diagnóstico positivo de HIV em geral sugere a presença de outras doenças. Se o médico prescrever remédios apenas para controlar o vírus......insista em ser testado para a presença de hepatite B e C e sífilis. Essas doenças podem sabotar o tratamento anti-HIV.O paciente tem um parceiro ou parceira também com teste de HIV positivo. Se o médico disser que não há problema em continuarem se relacionando sem proteção, ele está correto?Existem versões geneticamente diferentes dos vírus. O contato com um novo tipo de vírus pode agravar o quadro da doença. Se o médico insistir no tratamento com o uso de velhos remédios contra o HIV, preferindo-os aos novos, como o Fuzeon, o paciente deve desconfiar? Não. O fato de o médico não receitar um remédio recém-chegado ao mercado não significa que ele desconheça os mais recentes progressos científicos. Nem sempre uma novidade, como o Fuzeon, é o medicamento mais indicado para o paciente. No caso do HIV, há um tipo diferente de remédio para cada fase da infecção. O Fuzeon faz parte de uma nova geração de remédios que conseguem impedir a entrada do vírus na célula – portanto, uma etapa bem específica da infecção.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE HPV POSITIVO
Ele deve insistir em fazer um novo exame para confirmar o diagnóstico? Sim. Lesões semelhantes às causadas pelo HPV ocorrem em 70% da população sexualmente ativa, o que aumenta os riscos de um diagnóstico errado. Por essa razão, o médico deverá pedir ao paciente que faça um exame para analisar o material genético do vírus, para apenas depois disso dar a palavra final.O médico insiste em tratar o paciente mesmo sem a presença de sintomas. É um exagero?Não. Quase todos os casos de câncer de colo de útero no Brasil estão associados à presença do vírus HPV. Quando a infecção é tratada no estágio inicial, o risco de aparecer um tumor é quase nulo.Há motivo para desconfiar do médico se ele não mencionar a vacina contra o HPV?Não. O fato de não ter falado sobre essa vacina não quer dizer que a desconheça. Ela só chegará ao Brasil nos próximos meses e, aí sim, terá uso preventivo contra quatro tipos de vírus de HPV que causam tumores.O médico minimiza a possibilidade de existirem infecções paralelas. Ele está certo? Não. Uma pessoa com HPV está mais propensa a infectar-se com o vírus da aids, por sífilis ou clamídia. O médico deve pedir exames para investigar a presença dessas doenças.O médico recomenda o uso da camisinha mesmo na ausência das lesões causadas pelo HPV. É exagero? Não. As lesões causadas pelo vírus são curadas em 90% dos casos, mas mesmo assim persistem os riscos de contaminação.
DIABETES
O que é : aumento excessivo das taxas de açúcar no sangue
Quantas pessoas atinge no Brasil: 10 milhões
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE PRÉ-DIABETES
Se o médico concluir que não há necessidade de iniciar um tratamento, o paciente deve se contentar com essa orientação? Não. Mesmo nos casos mais brandos da doença, o médico no mínimo indicará uma dieta, que deverá ser acompanhada de perto. Se não funcionar, será necessário recorrer a remédios antidiabéticos orais, para o controle da taxa de açúcar.
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE DIABETES
Ele deve submeter-se a exames cardíacos? Se o médico não pedir exames como o teste de esforço e o ecocardiograma, desconfie. O diabetes aumenta em pelo menos três vezes o risco de um infarto. Em muitos casos, portanto, esses exames salvam a vida do paciente.O médico recomenda ter no bolso sempre quatro balas de goma para ser ingeridas nas eventuais crises de hipoglicemia. Não existe remédio menos rudimentar?As balas são perfeitas para as crises eventuais. No caso de crises freqüentes, pergunte ao médico sobre a necessidade de fazer um monitoramento mais assíduo do índice de glicemia, com a ajuda de um aparelho de uso doméstico. O médico decide trocar os remédios orais por insulina injetável. Não seria o caso de tentar mais com as drogas orais?Discuta a decisão com o médico. Recorrer à insulina, porém, não é um recurso extremo. Mesmo casos leves de diabetes podem não ser efetivamente controlados sem insulina.O médico não tirou nenhum tipo de alimento do cardápio. Isso é um erro?Não. A diferença na dieta dos diabéticos bem controlados em relação à das outras pessoas está basicamente na quantidade, e não no tipo de comida – o que vale inclusive para os doces. A taxa de açúcar no sangue está bem controlada. O médico insiste em manter o tratamento. O que isso significa?Ao insistir no tratamento, o médico está prevenindo o aumento nas taxas de glicose. Sem remédios, esse índice pode subir e, pior, a doença pode se agravar.
O MÉDICO DIZ QUE O PACIENTE ESTÁ COMEÇANDO COM OS REMÉDIOS UMA PARCERIA PARA A VIDA TODA. ISSO É RAZOÁVEL?
Sim. Apesar de os recursos para o controle das taxas de açúcar no sangue serem eficientes, eles não curam a doença e muitas vezes nem mesmo impedem sua progressão.O médico se preocupa apenas com a leitura dos exames e não leva em conta o estilo de vida do doente. O que ele precisa ouvir nesse caso?Existe a suspeita forte de que quadros de stress agravam o diabetes, uma vez que a pessoa nessa condição libera hormônios que podem anular o efeito da insulina. Pergunte ao médico se não é o caso de se submeter a terapias complementares, mesmo as alternativas, para diminuir os níveis de stress.
UMA MULHER GRÁVIDA DESCOBRE QUE ESTÁ DIABÉTICA.
O médico não prescreve medicamentos e insiste em controlar a doença apenas com dieta e exercícios físicos. Está certo?Pergunte qual sua opção caso a dieta rigorosa e os exercícios físicos não funcionem. Discuta a possibilidade de usar um monitor a tiracolo que mede os índices de glicemia em intervalos bem curtos. Grávidas diabéticas que não controlam o açúcar no sangue correm mais risco de aborto e coma diabético. O bebê tem maior probabilidade de nascer com deformações e propensão à obesidade. O médico menciona como possibilidade real recorrer ao novo tratamento por meio de transplante de células produtoras de insulina. Isso é futurologia? Não. Mas o transplante tem suas limitações. A primeira é que seu efeito não dura mais que cinco anos para a maioria dos pacientes. Ele é indicado para diabéticos do tipo 1 que não conseguem controlar a doença nem mesmo com o uso de bombas de insulina.
TRANSTORNOS DO HUMOR
O que são: doenças psiquiátricas resultantes de alterações químicas no cérebro e que levam a distúrbios do humor, sendo a ansiedade e a depressão as mais freqüentes
Quantas pessoas atingem no Brasil: 12 milhões (ansiedade) e 9 milhões (depressão)
O PACIENTE OUVE DO MÉDICO QUE ELE SOFRE DE DEPRESSÃO
Mesmo com todas as credenciais acadêmicas, o médico diz que o tratamento da depressão é um jogo de tentativa e erro. O que pensar?É verdade. Encontrar o antidepressivo adequado para cada caso é um processo que pode levar tempo. Muitas vezes uma droga que funciona produz efeitos colaterais intoleráveis e precisa ser retirada.Não são incomuns as dores físicas resultantes da depressão.
O MÉDICO SE RECUSA A PRESCREVER ANALGÉSICOS. POR QUÊ?
Não é motivo para indispor-se com o médico quando ele se recusa a prescrever um remédio para dores tão comuns nesse caso, como por exemplo a de estômago. A razão é que nenhum medicamento resolverá o incômodo, já que tais dores não têm como origem problemas objetivos de saúde – mas são resultantes do quadro de depressão, contra o qual o único remédio indicado é o antidepressivo.
A DEPRESSÃO FOI DIAGNOSTICADA COMO LEVE. MESMO ASSIM, O MÉDICO INSISTE EM TRATÁ-LA COM REMÉDIOS. ISSO É ERRADO?
No caso de depressões muito leves, o médico pode indicar a psicoterapia antes de recorrer a um antidepressivo. Se ele prescrever o remédio, insista em saber a razão. Há, de fato, situações em que o quadro da doença não é grave, mas ainda assim o antidepressivo é a melhor indicação.
NÃO EXISTEM TESTES LABORATORIAIS PARA DEPRESSÃO. COMO O MÉDICO PODE TER CERTEZA DO DIAGNÓSTICO?
A experiência e a literatura permitem hoje aos bons psiquiatras distinguir com exatidão um quadro de tristeza transitória de uma depressão química. Mas a subjetividade existe, e não se deve dispensar uma segunda opinião em caso de dúvida.O psiquiatra insiste muito em saber detalhes da vida íntima e, em especial, das manias. Por quê? Diante de um quadro de psicose maníaco-depressiva, metade dos remédios contra depressão não pode ser receitada. Paciência. O médico precisa saber tudo.
OS PAIS SÃO INFORMADOS DE QUE UM FILHO ADOLESCENTE ESTÁ SOFRENDO DE DEPRESSÃO.
O médico insiste que as estatísticas de suicídio de adolescentes tratados com antidepressivos não invalidam os tratamentos. Deve-se acreditar nele? Sim.
Mas um bom médico vai recomendar aos pais vigilância redobrada em relação aos filhos, sobretudo nas primeiras semanas do tratamento. O uso de antidepressivos aumentou o número de suicídios entre adolescentes americanos nas primeiras semanas do tratamento. As razões são ainda desconhecidas. Duas hipóteses são as mais aceitas. Primeira, o paciente se anima com as doses iniciais, sai do estado de prostração e ganha iniciativa para fazer o que vinha planejando há tempos. Segunda, o remédio não teve tempo de fazer efeito e o paciente se matou por estar realmente deprimido. Ou seja, ele tentaria o suicídio mesmo sem o remédio. De toda forma, a vigilância é essencial nessa fase.O médico "receitou" apenas ioga e meditação. O que devo pensar?Questione o tratamento, especialmente se os filhos já tiverem tentado esses expedientes antes. Se não tiverem, é uma satisfação, porque a "receita" equivale ao diagnóstico de que os filhos não sofrem de disfunções químicas no cérebro.
O PACIENTE TEM O DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE
O médico mantém os remédios mesmo quando os sintomas acabaram. Isso é correto? Sim.
O abandono precoce do tratamento tende a levar à ocorrência de novas crises. Discuta com seu médico a questão da dependência ao remédio, de seu uso combinado com outros remédios e com a ingestão de bebidas alcoólicas. Essas questões, quando não respondidas direito, podem causar mais ansiedade ainda.Questione o médico se ele decidir seguir com o calmante por um período de tempo superior a quatro meses.
OBESIDADE
O que é: excesso de peso que leva o índice de massa corporal a ultrapassar 30
Quantas pessoas atinge no Brasil: 20 milhões.
O PACIENTE OUVE DO MÉDICO O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE.
O MÉDICO DIZ QUE TEM UMA RECEITA CAPAZ DE FAZER O PACIENTE EMAGRECER RAPIDAMENTE. O QUE PENSAR?
Ele pode ter mesmo. Emagrecer não é difícil. Quase impossível é se manter magro para sempre. Discuta com seu médico qual a abordagem dele para evitar o "efeito sanfona", o emagrece-engorda-emagrece-engorda que tanto mal faz à saúde.O médico diz que a privação quase absoluta de carboidratos (massas, pão, açúcar...) é a única maneira de emagrecer rapidamente. Essa dieta não está desacreditada?Não como tratamento de choque para emagrecer. Ela funciona. Mas há uma unanimidade entre os médicos de que ela não pode ser mantida por muito tempo. O excesso de proteínas e gorduras dessa dieta sobrecarrega os rins e as artérias, e, portanto, ela não deve ser mantida por mais de um mês.
O MÉDICO RECEITA REMÉDIOS PARA EMAGRECER, MAS A IDÉIA DE QUE ELES VICIAM É AINDA MUITO FORTE. COMO FALAR SOBRE ISSO COM O MÉDICO?
Com toda a clareza. Os remédios para emagrecer que prejudicam o funcionamento do coração foram banidos da prática médica. Mas ainda são considerados seguros os remédios que reduzem a absorção de gorduras no intestino, os que aumentam a sensação de saciedade (ajudam a pessoa a se satisfazer à mesa com metade da quantidade de comida) ou os que inibem o apetite. Alguns tornam o metabolismo mais acelerado. Pergunte a seu médico se eles agem sobre a tireóide. Em caso positivo, aprofunde a conversa sobre a necessidade do remédio em contrapartida com os efeitos colaterais.
A DIETA ATÉ FUNCIONOU, MAS O MÉDICO QUER MANTER A MEDICAÇÃO. ISSO É UM ERRO?
Não. Quando o paciente perde mais de 10% de seu peso corporal, o ritmo de emagrecimento diminui e até se paralisa. É uma reação natural do organismo. O remédio ajuda a driblar esse mecanismo natural.O médico prefere prescrever fórmulas para emagrecer a receitar remédios de laboratórios. O que isso significa? Significa muitas coisas. A mais benigna é que o médico está adaptando a formulação especialmente para determinado paciente. Mas é sempre bom discutir as razões que o levaram a desprezar os remédios aprovados pelas autoridades de saúde.
O CLÍNICO DIZ QUE NÃO TEM MAIS COMO MELHORAR A VIDA DO PACIENTE E SUGERE UMA CIRURGIA DE REDUÇÃO DO ESTÔMAGO. O QUE ISSO INDICA?
Veículo: Revista Veja
Seção: Especial
Data: 14/04/2006
Da internet surgiu um novo tipo de paciente: ele chega ao consultório médico cada vez mais informado sobre sua saúde e os progressos da medicina. Segundo levantamento da consultoria americana Pew Internet & American Life Project, oito de cada dez usuários da rede já recorreram a sites especializados em saúde. No Brasil, estima-se que 10 milhões de pessoas corram para o computador em busca de ajuda para problemas médicos. Os melhores conhecedores dos caminhos da rede conseguem acesso a trabalhos acadêmicos, imagens e até vídeos profissionais detalhando cirurgias complexas. Grupos de usuários da internet dão relatos de seus tratamentos, trocam impressões sobre remédios, informam-se sobre drogas que estão em diferentes estágios de aprovação pelas autoridades de saúde. Com tanta informação, um paciente com algum conhecimento geral pode chegar diante de um médico especialista com uma carga de informações até maior do que a do profissional. Isso ajuda? Muitos médicos acham que não. Saber demais na teoria pode aumentar a ansiedade do paciente e levá-lo a se autodiagnosticar e a se automedicar. Mas, por outro lado, saber mais sobre os limites da medicina pode ajudar o paciente a dialogar melhor com seu médico. Diz Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com base na experiência dos últimos trinta anos: "O acesso à informação médica na internet criou pacientes mais questionadores e gabaritados para expor suas dúvidas".Há pelo menos dois desdobramentos desse fenômeno. O primeiro deles é que o paciente participa mais ativamente das decisões sobre sua própria saúde e pode pesar, junto com o médico, os riscos e os benefícios dos tratamentos. A situação é positiva sobretudo quando a decisão a ser tomada é de natureza delicada – e arriscada – como uma intervenção cirúrgica.Um segundo resultado benéfico para o paciente bem informado é que ele tem mais condições de avaliar a qualidade de uma consulta e, portanto, de exigir do médico que conheça – e fale – sobre as descobertas mais recentes de sua especialidade. Com pacientes mais curiosos, o tempo de um atendimento típico num consultório particular aumentou. Estimam os especialistas que cerca da metade do tempo das consultas passou a ser gasto com o esclarecimento de dúvidas trazidas pelo próprio paciente. Isso força os médicos a se atualizarem. Em menos de uma década, o número de novos profissionais de saúde que se tornaram usuários da maior biblioteca virtual científica da América Latina, a Bireme, quase triplicou. Por essas razões, os especialistas apostam que o aumento da utilização dos recursos médicos on-line vai levar a uma melhora constante no relacionamento do médico com os pacientes, em benefício de ambos.
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O outro lado do mesmo fenômeno preocupa os médicos. O excesso de informações circulando na rede abre caminho para a automedicação – adversária de um bom tratamento médico. Pior ainda: quando isso ocorre, é freqüente que as pessoas tomem suas próprias decisões clínicas, como passar a tomar um novo medicamento, baseadas nos resultados de pesquisas conduzidas por instituições de reputação duvidosa ou a partir de blogs produzidos por leigos, que nada entendem sobre o que apregoam na rede. Um outro efeito colateral comum da abundância de dados na rede, segundo os médicos, é que alguns pacientes ficam tão confiantes que passam a se sentir mais especialistas que o especialista – e desconfiam de toda e qualquer orientação médica que não esteja de acordo com a informação que colheram como autodidatas. É o tipo de paciente que olhará o médico com ceticismo apenas pelo fato de ele não ter prescrito uma droga recém-chegada ao mercado – situação que na maioria das vezes não é resultado da ignorância médica, mas sim da avaliação de que o tal remédio pode não funcionar para o caso em questão. Adverte o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, professor da Universidade de Campinas: "O paciente tende a se informar por dados gerais e isso pode criar resistência em entender que, na medicina, cada caso requer um determinado procedimento".O ponto ideal para uma boa consulta, portanto, é aquele em que o paciente usa as informações que colheu para fazer as perguntas certeiras – aquelas cuja resposta do médico leve ao melhor tratamento possível. Para cada doença, existe um conjunto de questões consideradas prioritárias. Depois de entrevistar 35 profissionais de quinze diferentes áreas da medicina, VEJA produziu uma lista com as perguntas que, feitas no consultório, têm grande repercussão positiva na precisão do diagnóstico e do próprio tratamento. A resposta para elas pode levar à melhora da qualidade de vida e, em alguns casos, salvar vidas. As perguntas dizem respeito às dez doenças que mais comprometem a saúde dos brasileiros – como a dor de cabeça e as alergias – ou as que ocupam as primeiras posições no ranking das grandes causas de morte no Brasil, como o câncer e as doenças cardiovasculares. O resultado está nas catorze páginas a seguir.
DOENÇAS VIRAIS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
O que são: conjunto de doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por via sexual, sendo o HPV e o HIV os mais freqüentes
Quantas pessoas atingem no Brasil: 1 milhão (HIV) e 34 milhões (HPV)
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE HIV POSITIVO
Outro exame é tudo que o incrédulo paciente quer fazer... Ele deve insistir com o médico?
Um bom médico vai, com toda a certeza, pedir um teste definitivo para detectar a presença do vírus e saber o grau de evolução da doença. Se o médico não pedir novos exames, insista. Pergunte se não seria esse o procedimento correto e por quê.Vão ser feitos novos exames, mas, por segurança, o paciente deve se comportar socialmente como se já tivesse HIV? Sim. O médico vai iniciar o tratamento no momento em que não restarem dúvidas sobre a presença do HIV. Mas ele deve recomendar ao paciente que evite desde já contatos sexuais de risco para o parceiro.O diagnóstico positivo de HIV em geral sugere a presença de outras doenças. Se o médico prescrever remédios apenas para controlar o vírus......insista em ser testado para a presença de hepatite B e C e sífilis. Essas doenças podem sabotar o tratamento anti-HIV.O paciente tem um parceiro ou parceira também com teste de HIV positivo. Se o médico disser que não há problema em continuarem se relacionando sem proteção, ele está correto?Existem versões geneticamente diferentes dos vírus. O contato com um novo tipo de vírus pode agravar o quadro da doença. Se o médico insistir no tratamento com o uso de velhos remédios contra o HIV, preferindo-os aos novos, como o Fuzeon, o paciente deve desconfiar? Não. O fato de o médico não receitar um remédio recém-chegado ao mercado não significa que ele desconheça os mais recentes progressos científicos. Nem sempre uma novidade, como o Fuzeon, é o medicamento mais indicado para o paciente. No caso do HIV, há um tipo diferente de remédio para cada fase da infecção. O Fuzeon faz parte de uma nova geração de remédios que conseguem impedir a entrada do vírus na célula – portanto, uma etapa bem específica da infecção.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE HPV POSITIVO
Ele deve insistir em fazer um novo exame para confirmar o diagnóstico? Sim. Lesões semelhantes às causadas pelo HPV ocorrem em 70% da população sexualmente ativa, o que aumenta os riscos de um diagnóstico errado. Por essa razão, o médico deverá pedir ao paciente que faça um exame para analisar o material genético do vírus, para apenas depois disso dar a palavra final.O médico insiste em tratar o paciente mesmo sem a presença de sintomas. É um exagero?Não. Quase todos os casos de câncer de colo de útero no Brasil estão associados à presença do vírus HPV. Quando a infecção é tratada no estágio inicial, o risco de aparecer um tumor é quase nulo.Há motivo para desconfiar do médico se ele não mencionar a vacina contra o HPV?Não. O fato de não ter falado sobre essa vacina não quer dizer que a desconheça. Ela só chegará ao Brasil nos próximos meses e, aí sim, terá uso preventivo contra quatro tipos de vírus de HPV que causam tumores.O médico minimiza a possibilidade de existirem infecções paralelas. Ele está certo? Não. Uma pessoa com HPV está mais propensa a infectar-se com o vírus da aids, por sífilis ou clamídia. O médico deve pedir exames para investigar a presença dessas doenças.O médico recomenda o uso da camisinha mesmo na ausência das lesões causadas pelo HPV. É exagero? Não. As lesões causadas pelo vírus são curadas em 90% dos casos, mas mesmo assim persistem os riscos de contaminação.
DIABETES
O que é : aumento excessivo das taxas de açúcar no sangue
Quantas pessoas atinge no Brasil: 10 milhões
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE PRÉ-DIABETES
Se o médico concluir que não há necessidade de iniciar um tratamento, o paciente deve se contentar com essa orientação? Não. Mesmo nos casos mais brandos da doença, o médico no mínimo indicará uma dieta, que deverá ser acompanhada de perto. Se não funcionar, será necessário recorrer a remédios antidiabéticos orais, para o controle da taxa de açúcar.
O PACIENTE RECEBE UM DIAGNÓSTICO DE DIABETES
Ele deve submeter-se a exames cardíacos? Se o médico não pedir exames como o teste de esforço e o ecocardiograma, desconfie. O diabetes aumenta em pelo menos três vezes o risco de um infarto. Em muitos casos, portanto, esses exames salvam a vida do paciente.O médico recomenda ter no bolso sempre quatro balas de goma para ser ingeridas nas eventuais crises de hipoglicemia. Não existe remédio menos rudimentar?As balas são perfeitas para as crises eventuais. No caso de crises freqüentes, pergunte ao médico sobre a necessidade de fazer um monitoramento mais assíduo do índice de glicemia, com a ajuda de um aparelho de uso doméstico. O médico decide trocar os remédios orais por insulina injetável. Não seria o caso de tentar mais com as drogas orais?Discuta a decisão com o médico. Recorrer à insulina, porém, não é um recurso extremo. Mesmo casos leves de diabetes podem não ser efetivamente controlados sem insulina.O médico não tirou nenhum tipo de alimento do cardápio. Isso é um erro?Não. A diferença na dieta dos diabéticos bem controlados em relação à das outras pessoas está basicamente na quantidade, e não no tipo de comida – o que vale inclusive para os doces. A taxa de açúcar no sangue está bem controlada. O médico insiste em manter o tratamento. O que isso significa?Ao insistir no tratamento, o médico está prevenindo o aumento nas taxas de glicose. Sem remédios, esse índice pode subir e, pior, a doença pode se agravar.
O MÉDICO DIZ QUE O PACIENTE ESTÁ COMEÇANDO COM OS REMÉDIOS UMA PARCERIA PARA A VIDA TODA. ISSO É RAZOÁVEL?
Sim. Apesar de os recursos para o controle das taxas de açúcar no sangue serem eficientes, eles não curam a doença e muitas vezes nem mesmo impedem sua progressão.O médico se preocupa apenas com a leitura dos exames e não leva em conta o estilo de vida do doente. O que ele precisa ouvir nesse caso?Existe a suspeita forte de que quadros de stress agravam o diabetes, uma vez que a pessoa nessa condição libera hormônios que podem anular o efeito da insulina. Pergunte ao médico se não é o caso de se submeter a terapias complementares, mesmo as alternativas, para diminuir os níveis de stress.
UMA MULHER GRÁVIDA DESCOBRE QUE ESTÁ DIABÉTICA.
O médico não prescreve medicamentos e insiste em controlar a doença apenas com dieta e exercícios físicos. Está certo?Pergunte qual sua opção caso a dieta rigorosa e os exercícios físicos não funcionem. Discuta a possibilidade de usar um monitor a tiracolo que mede os índices de glicemia em intervalos bem curtos. Grávidas diabéticas que não controlam o açúcar no sangue correm mais risco de aborto e coma diabético. O bebê tem maior probabilidade de nascer com deformações e propensão à obesidade. O médico menciona como possibilidade real recorrer ao novo tratamento por meio de transplante de células produtoras de insulina. Isso é futurologia? Não. Mas o transplante tem suas limitações. A primeira é que seu efeito não dura mais que cinco anos para a maioria dos pacientes. Ele é indicado para diabéticos do tipo 1 que não conseguem controlar a doença nem mesmo com o uso de bombas de insulina.
TRANSTORNOS DO HUMOR
O que são: doenças psiquiátricas resultantes de alterações químicas no cérebro e que levam a distúrbios do humor, sendo a ansiedade e a depressão as mais freqüentes
Quantas pessoas atingem no Brasil: 12 milhões (ansiedade) e 9 milhões (depressão)
O PACIENTE OUVE DO MÉDICO QUE ELE SOFRE DE DEPRESSÃO
Mesmo com todas as credenciais acadêmicas, o médico diz que o tratamento da depressão é um jogo de tentativa e erro. O que pensar?É verdade. Encontrar o antidepressivo adequado para cada caso é um processo que pode levar tempo. Muitas vezes uma droga que funciona produz efeitos colaterais intoleráveis e precisa ser retirada.Não são incomuns as dores físicas resultantes da depressão.
O MÉDICO SE RECUSA A PRESCREVER ANALGÉSICOS. POR QUÊ?
Não é motivo para indispor-se com o médico quando ele se recusa a prescrever um remédio para dores tão comuns nesse caso, como por exemplo a de estômago. A razão é que nenhum medicamento resolverá o incômodo, já que tais dores não têm como origem problemas objetivos de saúde – mas são resultantes do quadro de depressão, contra o qual o único remédio indicado é o antidepressivo.
A DEPRESSÃO FOI DIAGNOSTICADA COMO LEVE. MESMO ASSIM, O MÉDICO INSISTE EM TRATÁ-LA COM REMÉDIOS. ISSO É ERRADO?
No caso de depressões muito leves, o médico pode indicar a psicoterapia antes de recorrer a um antidepressivo. Se ele prescrever o remédio, insista em saber a razão. Há, de fato, situações em que o quadro da doença não é grave, mas ainda assim o antidepressivo é a melhor indicação.
NÃO EXISTEM TESTES LABORATORIAIS PARA DEPRESSÃO. COMO O MÉDICO PODE TER CERTEZA DO DIAGNÓSTICO?
A experiência e a literatura permitem hoje aos bons psiquiatras distinguir com exatidão um quadro de tristeza transitória de uma depressão química. Mas a subjetividade existe, e não se deve dispensar uma segunda opinião em caso de dúvida.O psiquiatra insiste muito em saber detalhes da vida íntima e, em especial, das manias. Por quê? Diante de um quadro de psicose maníaco-depressiva, metade dos remédios contra depressão não pode ser receitada. Paciência. O médico precisa saber tudo.
OS PAIS SÃO INFORMADOS DE QUE UM FILHO ADOLESCENTE ESTÁ SOFRENDO DE DEPRESSÃO.
O médico insiste que as estatísticas de suicídio de adolescentes tratados com antidepressivos não invalidam os tratamentos. Deve-se acreditar nele? Sim.
Mas um bom médico vai recomendar aos pais vigilância redobrada em relação aos filhos, sobretudo nas primeiras semanas do tratamento. O uso de antidepressivos aumentou o número de suicídios entre adolescentes americanos nas primeiras semanas do tratamento. As razões são ainda desconhecidas. Duas hipóteses são as mais aceitas. Primeira, o paciente se anima com as doses iniciais, sai do estado de prostração e ganha iniciativa para fazer o que vinha planejando há tempos. Segunda, o remédio não teve tempo de fazer efeito e o paciente se matou por estar realmente deprimido. Ou seja, ele tentaria o suicídio mesmo sem o remédio. De toda forma, a vigilância é essencial nessa fase.O médico "receitou" apenas ioga e meditação. O que devo pensar?Questione o tratamento, especialmente se os filhos já tiverem tentado esses expedientes antes. Se não tiverem, é uma satisfação, porque a "receita" equivale ao diagnóstico de que os filhos não sofrem de disfunções químicas no cérebro.
O PACIENTE TEM O DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE
O médico mantém os remédios mesmo quando os sintomas acabaram. Isso é correto? Sim.
O abandono precoce do tratamento tende a levar à ocorrência de novas crises. Discuta com seu médico a questão da dependência ao remédio, de seu uso combinado com outros remédios e com a ingestão de bebidas alcoólicas. Essas questões, quando não respondidas direito, podem causar mais ansiedade ainda.Questione o médico se ele decidir seguir com o calmante por um período de tempo superior a quatro meses.
OBESIDADE
O que é: excesso de peso que leva o índice de massa corporal a ultrapassar 30
Quantas pessoas atinge no Brasil: 20 milhões.
O PACIENTE OUVE DO MÉDICO O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE.
O MÉDICO DIZ QUE TEM UMA RECEITA CAPAZ DE FAZER O PACIENTE EMAGRECER RAPIDAMENTE. O QUE PENSAR?
Ele pode ter mesmo. Emagrecer não é difícil. Quase impossível é se manter magro para sempre. Discuta com seu médico qual a abordagem dele para evitar o "efeito sanfona", o emagrece-engorda-emagrece-engorda que tanto mal faz à saúde.O médico diz que a privação quase absoluta de carboidratos (massas, pão, açúcar...) é a única maneira de emagrecer rapidamente. Essa dieta não está desacreditada?Não como tratamento de choque para emagrecer. Ela funciona. Mas há uma unanimidade entre os médicos de que ela não pode ser mantida por muito tempo. O excesso de proteínas e gorduras dessa dieta sobrecarrega os rins e as artérias, e, portanto, ela não deve ser mantida por mais de um mês.
O MÉDICO RECEITA REMÉDIOS PARA EMAGRECER, MAS A IDÉIA DE QUE ELES VICIAM É AINDA MUITO FORTE. COMO FALAR SOBRE ISSO COM O MÉDICO?
Com toda a clareza. Os remédios para emagrecer que prejudicam o funcionamento do coração foram banidos da prática médica. Mas ainda são considerados seguros os remédios que reduzem a absorção de gorduras no intestino, os que aumentam a sensação de saciedade (ajudam a pessoa a se satisfazer à mesa com metade da quantidade de comida) ou os que inibem o apetite. Alguns tornam o metabolismo mais acelerado. Pergunte a seu médico se eles agem sobre a tireóide. Em caso positivo, aprofunde a conversa sobre a necessidade do remédio em contrapartida com os efeitos colaterais.
A DIETA ATÉ FUNCIONOU, MAS O MÉDICO QUER MANTER A MEDICAÇÃO. ISSO É UM ERRO?
Não. Quando o paciente perde mais de 10% de seu peso corporal, o ritmo de emagrecimento diminui e até se paralisa. É uma reação natural do organismo. O remédio ajuda a driblar esse mecanismo natural.O médico prefere prescrever fórmulas para emagrecer a receitar remédios de laboratórios. O que isso significa? Significa muitas coisas. A mais benigna é que o médico está adaptando a formulação especialmente para determinado paciente. Mas é sempre bom discutir as razões que o levaram a desprezar os remédios aprovados pelas autoridades de saúde.
O CLÍNICO DIZ QUE NÃO TEM MAIS COMO MELHORAR A VIDA DO PACIENTE E SUGERE UMA CIRURGIA DE REDUÇÃO DO ESTÔMAGO. O QUE ISSO INDICA?
Indica que o médico chegou à conclusão de que o paciente sofre de obesidade mórbida, cujos riscos são ainda maiores do que os da cirurgia. O paciente deve questionar como o médico chegou a tal conclusão. Que dados ele utilizou para fazer a indicação da cirurgia? Não aceite a idéia de que a cirurgia resolve tudo. Pacientes que tiveram o estômago reduzido continuam sofrendo de apetite excessivo (um problema cerebral) e das ansiedades que infernizam a vida dos gordos, com o agravante de que estão fisicamente condenados a uma dieta de líquidos e de porções minúsculas.
O MÉDICO DIZ QUE A GORDURA ABDOMINAL, O FAMOSO "PNEUZINHO", PODE MATAR. É UM EXAGERO?
Não. O excesso de gordura abdominal triplica os riscos de infarto e derrame e aumenta em cinco vezes a probabilidade de diabetes. Converse com seu médico sobre essas conclusões recentes da ciência médica. Neste ano deve ser aprovado um remédio que ajuda muito a reduzir os "pneuzinhos". É o rimonabant. Discuta com seu médico se você é um candidato a esse remédio.
O MÉDICO ACONSELHA O PACIENTE A MODERAR NOS EXERCÍCIOS FÍSICOS.
Isso mostra a maior confiança dele nos remédios, não?
Não necessariamente. Embora se exercitar seja uma das estratégias mais eficientes no combate à obesidade, o médico tem razão ao contra-indicar certos esportes caso avalie que eles estão causando prejuízos às juntas. O perigo é o surgimento de artrose, doença que diminui a mobilidade das pessoas e leva ao aumento da obesidade.
AO SE QUEIXAR DE APNÉIA DO SONO, A INTERRUPÇÃO FREQÜENTE DOS DUTOS QUE LEVAM AR AOS PULMÕES DURANTE A NOITE, O MÉDICO DIZ AO PACIENTE QUE BASTA ELE EMAGRECER PARA O PROBLEMA ACABAR.
Deve-se acreditar nisso?
Teoricamente, o médico está certo. Mas as pessoas demoram a emagrecer com os tratamentos. Enquanto isso, a apnéia continua atrapalhando a vida delas e dificultando o próprio tratamento da obesidade. O sono reparador emagrece, portanto discuta com o médico as medidas imediatas para diminuir a apnéia. As mais comuns são: dormir de lado, moderar no consumo de bebidas alcoólicas e evitar remédios para induzir ou manter o sono.
UMA CRIANÇA RECEBE O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE.
Os pais e a própria criança não se sentem desconfortáveis com a situação. O médico deve concordar? Não.
Uma criança obesa pode parecer absolutamente sadia, mas estará comprometendo a saúde futura. O médico deve aconselhar os pais a ajudar a criança obesa a perder peso com a adoção de dieta e exercícios físicos. É bom que comece logo. Se uma criança chega obesa aos 2 anos, ela tem 50% de probabilidade de se tornar um adulto gordo.
DISTÚRBIOS CARDIOVASCULARES
O que são: conjunto de doenças que provocam o entupimento das artérias ou que prejudicam o funcionamento do coração
Quantas pessoas atingem no Brasil: 300 000 morrem por ano.
UM PACIENTE DE MEIA-IDADE SADIO PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA INCIDÊNCIA DE DOENÇAS CARDÍACAS
Ele diz ao médico que seus amigos da mesma idade tomam uma aspirina infantil por dia para evitar o primeiro infarto. O médico não se anima com a automedicação. Ele está certo?
Eis uma situação que deve ser resolvida caso a caso. As estatísticas mostram que de 80 a 160 miligramas de aspirina por dia ajudam a prevenir ataque cardíaco em pacientes que já sofreram o primeiro infarto. Por associação, muitos médicos receitam aspirina para pacientes sadios mas que estão acima do peso ou fumam. Discuta com seu médico se é esse o seu caso, se seu estômago tolera bem a ação corrosiva da aspirina. Discuta com ele a hipótese mesmo remota de você sofrer um derrame hemorrágico e, nesse caso, a aspirina, que atrasa a coagulação, piorar o caso.O médico prescreve antiinflamatórios para prevenir o infarto. Ele está certo? O infarto é o lance final de um processo inflamatório. Mesmo assim, o uso de medicamentos antiinflamatórios é contra-indicado tanto para prevenir quanto para tratar distúrbios cardiovasculares. Discuta com o seu médico caso precise usá-los no tratamento de outras doenças.
O PACIENTE RECLAMA DE IMPOTÊNCIA.
O médico manda fazer um chek-up completo.
Um Viagra não basta?
Não. Pedir um check-up é o procedimento esperado dos médicos diante de um quadro de impotência que, claramente, não esteja associado apenas a doenças do aparelho urinário. A impotência pode indicar um problema circulatório mais amplo e ser um sinal avançado de risco cardíaco.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE DOENÇA CARDIOVASCULAR
O médico informa que a pressão sanguínea está dentro dos valores normais, mas opta por continuar com a medicação para controlá-la melhor. Isso significa que ele acha que o estado do paciente é ruim?Não. Ele mostra que está atento aos estudos epidemiológicos mais recentes, que indicam que a interrupção do uso do remédio provavelmente fará a pressão voltar a subir. Discuta com o médico os efeitos colaterais de tomar diuréticos ou bloqueadores do sistema renina-angiotensina para manter a pressão nos padrões mais aceitos como normais.O paciente não tem dor no peito, não está sofrendo infarto, mas a recomendação do médico é cirurgia imediata. O que pensar?A primeira reação do paciente é obter uma segunda opinião. Os bons médicos não se incomodam com esse pedido. Para tornar a conversa com o médico mais produtiva, saiba que a combinação dos dois fatores a seguir sinaliza a necessidade de cirurgia:1) uma coronária importante apresenta obstrução de pelo menos 70%;2) o fluxo sanguíneo total no coração apresenta déficit.Uma vez estabelecida a necessidade de cirurgia, o paciente deve começar a discutir a qual procedimento ele será submetido. Mais e mais as obstruções, mesmo múltiplas, são tratadas de modo menos invasivo por meio de cateteres que viajam dentro das artérias até o local entupido. São cada vez mais raras as cirurgias com abertura do tórax. Se seu médico insistir nessa segunda cirurgia, exija uma explicação detalhada de seu caso.O paciente tem medo de morrer durante o teste de eletro de esforço, aquele da esteira em que o coração é monitorado. O médico minimiza o risco. O que fazer?O risco existe. Afinal, o coração será testado em seu limite máximo. Em havendo um distúrbio não detectado pela auscultação e pelo eletro em repouso, existe o risco, ainda que pequeno, de sofrer uma parada cardíaca. Só aceite fazer o teste de esforço em locais com pessoal preparado e equipamentos de ressuscitação.
O PACIENTE JÁ SOFREU INFARTO, TRATOU-SE E VOLTA AO MÉDICO
O médico receita remédios para trazer as taxas de colesterol para níveis abaixo dos normais. Ele está sendo exagerado? Não.
Os níveis de colesterol nesse caso devem estar sempre abaixo da média considerada ideal. Segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association, essa providência não apenas impede a formação de novas placas nas artérias como diminui as obstruções já existentes. Obter taxas muito baixas de colesterol apenas com o uso das estatinas (as drogas mais receitadas nesse caso) exige a prescrição das mais altas doses. Se esse for seu caso, pergunte a seu médico o que ele pretende fazer para evitar os efeitos colaterais raros, mas graves, associados ao uso das estatinas. São efeitos sobre o fígado e os músculos. Discuta com ele o uso combinado de outra classe de drogas anticolesterol, aquelas que agem apenas sobre a absorção de gorduras nos intestinos sem afetar o fígado.O médico insiste no tratamento psicológico além do clínico. Isso é dispensável?Os médicos que aconselham acompanhamento psicológico estão amparados pela boa literatura médica recente: 40% das pessoas que têm o coração operado desenvolvem quadros de depressão e ansiedade – o que pode atrapalhar o tratamento.
CÂNCER
O que é: multiplicação desordenada das células que leva à formação de tumores malignos
Quantas pessoas atinge no Brasil: 500 000 por ano.
O PACIENTE PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA DOENÇA
O médico proíbe o fumo e corta os dois cigarrinhos por dia que o paciente se dava ao luxo de fumar.
Melhor mudar de médico? Não.
Basta um cigarro por dia (mesmo do tipo light) para tornar uma pessoa mais vulnerável ao aparecimento de tumores.
O médico proíbe aquela dose diária de uísque ou as duas taças de vinho que "são boas para o coração". Melhor mudar de médico? Não.
Mesmo em doses pequenas, o consumo habitual de álcool predispõe ao aparecimento de câncer na boca, no esôfago e no estômago.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE CÂNCER.
A paciente insiste com o médico que ainda assim deseja engravidar. O médico aconselha a focar na doença.Discuta com ele a possibilidade de congelar óvulos para futura inseminação. O médico manda parar o uso de qualquer medicamento que contenha hormônios. A paciente insiste em manter as pílulas anticoncepcionais...Se o médico for conclusivo e mantiver a proibição, não adianta mudar de médico. O controle dos hormônios é vital para o acompanhamento da eficiência do ataque aos tumores. O médico não recomenda exames de imagem capazes de localizar metástases invisíveis a outros métodos. Isso é estranho?Discuta com ele, pois essa atitude pode ser a mais correta. Dado o diagnóstico inicial, o importante é que o tratamento seja feito o mais rapidamente possível e com toda a disciplina. Quanto antes se iniciar a terapia, menor é o risco de a doença se espalhar para outros órgãos.
METÁSTASE
Os anticorpos monoclonais são parte dos modernos tratamentos do câncer metastático. O que fazer se seu médico não os receitar? O médico pode não os prescrever. Até hoje esses remédios foram desenvolvidos para apenas alguns casos de metástase de câncer de mama, colo, o de pulmão e leucemias.
CÂNCER DE MAMA
O médico recomenda de cara a retirada do seio atingido.
O que fazer?
Ouvir a opinião de outro médico ajuda a tomar a decisão sem a sensação de que se fez a coisa errada. Todas as cirurgias de câncer retiram uma parte da mama. Discuta com o médico a possibilidade da cirurgia dupla: a retirada do seio e sua reconstrução imediata com prótese de silicone ou com o uso de músculos do abdômen. O médico sugere a retirada preventiva dos ovários para evitar o reaparecimento da doença. O que se deve considerar nesses casos?Pergunte a seu médico se o câncer diagnosticado em você é do tipo que tem receptores para o estrogênio ou do tipo que não tem esses receptores. Essa diferença é crucial na definição do tratamento. Se o seu caso for positivo, a retirada dos ovários pode ser recomendada, uma vez que eles produzem hormônios que estimulam o crescimento do tumor.O uso da radioterapia já durante as operações de extirpação de tumores de mama tem ganho adeptos. Seu médico a descarta como uma inutilidade. O que pensar? Essa técnica é um avanço em relação à radioterapia convencional pois minimiza os efeitos colaterais. Ela, no entanto, não tem aplicação em todos os tipos de câncer. Discuta com o médico as razões pelas quais ele descarta esse procedimento.
CÂNCER DE PRÓSTATA
Depois da biópsia, o médico não tem dúvida e recomenda uma cirurgia.
Vale a pena argumentar? Sim, e muito.
O câncer de próstata é um dos grandes desafios da medicina atual. Os exames não dão resultado apenas negativo ou positivo. Existem dezenas de variáveis que tornam a abordagem desse câncer muito complexa. Discuta com seu médico qual a gradação do seu câncer na escala Gleason. Pergunte sobre o teste de Kattan, questionário pelo qual é possível calcular com objetividade as chances de cura por meio de uma intervenção cirúrgica. Os remédios funcionam para combater a impotência causada pelo tratamento?Os médicos precisam informar ao paciente que nem sempre tais remédios dão certo. Ao lado das antigas injeções, eles têm surtido efeito positivo em 70% dos casos. Se não funcionarem, questione o médico sobre a possibilidade de fazer uma prótese peniana.
REPOSIÇÃO HORMONAL: UM DILEMA SEM RESPOSTA SIMPLES
A reposição hormonal, técnica utilizada desde meados da década de 60 para atenuar os sintomas da menopausa, é um dos tratamentos mais procurados por mulheres brasileiras em torno dos 50 anos. É um procedimento que até hoje não obteve unanimidade. São óbvios os benefícios do uso de hormônios, como o estrógeno e a progesterona. As mulheres que fazem reposição hormonal na menopausa livram-se dos incômodos típicos dessa fase da vida, como as ondas de calor e a instabilidade de humor. Há melhora expressiva na vida sexual e até na aparência física.As dúvidas começam quando se estudam os riscos resultantes do tratamento com hormônios. A mais crucial das divergências diz respeito aos riscos cardíacos causados pela reposição hormonal. O dado mais assustador foi produzido por um estudo de 2002 conduzido nos Estados Unidos pelo National Institutes of Health. Mulheres que fizeram reposição hormonal viram a probabilidade de sofrer um infarto crescer 29%. Os riscos de derrame aumentaram 41%. São números fortes o suficiente para desaconselhar o tratamento. O problema é que os resultados não são conclusivos.Meses depois, uma equipe de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, tornou público um trabalho de igual magnitude que chegou a conclusões diametralmente opostas: os hormônios adicionais protegeriam o coração das mulheres na menopausa. Desde então os estudos se revezam, sempre com conclusões que trazem mais confusão à cabeça das mulheres. A última palavra que a ciência tem sobre a reposição hormonal, portanto, é um ponto de interrogação. É frustrante. Mas é isso.A dúvida tornou os médicos mais conservadores em relação à prescrição da terapia, que passou a ser empregada com todas as ressalvas: o procedimento-padrão, agora, é receitar a reposição apenas quando os sintomas da menopausa forem excessivamente incômodos à paciente. Outro efeito da polêmica científica foi a redução das doses de hormônio aplicadas no tratamento e a sua duração – o tempo médio da terapia caiu de dez para cinco anos. Por fim, os médicos deixaram de indicar o início do tratamento em mulheres com mais de 60 anos, idade a partir da qual os riscos de um problema cardíaco são naturalmente maiores. Conclui o ginecologista César Fernandes, vice-presidente da Sobrac, a sociedade brasileira que reúne médicos especializados em menopausa: "Antes de receitar a terapia, é preciso pesar se os benefícios que ela proporciona podem ultrapassar seus riscos aparentes. Cada caso vai ter uma resposta diferente".
DOENÇAS CEREBRAIS DEGENERATIVAS
O que são: males que comprometem o funcionamento dos neurônios no cérebro. Os mais freqüentes são Alzheimer e Parkinson
Quantas pessoas atingem no Brasil: 1,5 milhão.
O PACIENTE FICA SABENDO QUE SOFRE DA DOENÇA DE PARKINSON.
O médico informa que pode evitar a progressão da doença. Mas isso é possível? Sim.
Os médicos certamente indicarão uma das únicas medidas preventivas de efeito comprovado: a prática de exercícios físicos regulares – hábito que minimiza as perdas típicas de flexibilidade e mobilidade do corpo, além de ajudar no controle da ansiedade. Funciona tão bem quanto as pílulas para conter a doença, segundo concluiu um recente estudo feito na Universidade Harvard.O médico proíbe o paciente de dirigir automóvel. Como ele pode saber que a pessoa perdeu essa capacidade?Com uma detalhada avaliação clínica, ele pode saber, sim. Na dúvida, converse com o médico a respeito de um novo teste neuropsicológico desenvolvido por pesquisadores australianos, justamente para medir a capacidade de dirigir do paciente.Na primeira consulta, o médico aconselha a cirurgia. Não é afobação?É estranho. Só se deve recorrer à cirurgia quando todos os outros tratamentos deixaram de surtir efeito. Em havendo a decisão de ir para a cirurgia, o paciente deve se informar sobre os possíveis resultados. A operação é delicada, mas pode aliviar os sintomas. Não tem poder de cura.
O PACIENTE TEM HISTÓRICO FAMILIAR DA DOENÇA DE ALZHEIMER, MAS NÃO APRESENTA NENHUM SINTOMA.
O médico diz que não se deve esperar pelos sintomas e aconselha a agir já. Está certo? Está amparado em pesquisas. O histórico familiar para a doença de Alzheimer é um sinal de perigo. Discuta com seu médico o grau de parentesco da pessoa que teve a doença na família e pergunte a ele se o fato de você se parecer muito fisicamente com o doente significa risco maior de herdar a doença de Alzheimer. Pesquisas indicam que o uso de antiinflamatórios e estatinas, aliado à prática de exercícios físicos e à atividade intelectual, tem efeito positivo na prevenção da doença.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE ALZHEIMER.
O médico diz que não tem dúvida, mas exige mais exames de imagem do cérebro.
É um sacrifício inútil? Não.
Depois de fazer a avaliação clínica do paciente, o médico recorrerá à tomografia computadorizada ou à ressonância magnética para traçar com maior precisão os danos já provocados no cérebro e as áreas mais afetadas.De posse dos exames, o médico diz que o tratamento vai apenas diminuir o ritmo do avanço da doença. Ele não está sendo conservador?Infelizmente não. A única abordagem do problema são os inibidores da colinesterase. Em 40% dos casos, eles conseguem manter o paciente no mesmo estágio da doença por um prazo de dois anos.
DOENÇAS PULMONARES
O que são: doenças que prejudicam o funcionamento do sistema respiratório
Quantas pessoas atingem no Brasil: 28 milhões.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE UMA DOENÇA PULMONAR.
Não ter fumado teria evitado o problema, diz o médico, para quem agora é tarde para parar. O que pensar dessa recomendação?
Mude de médico.
O cigarro perpetua o processo inflamatório típico da maioria das doenças pulmonares.Exercícios físicos, sim, mas só os recomendados, diz o médico. O que isso significa?O médico tem razão em manter controle total sobre o tipo e o grau de atividade física que o paciente desempenha. Não saia do consultório sem uma lista dos exercícios recomendados e aqueles que devem ser evitados.
ASMA
O paciente obeso ouve do médico que emagrecer no caso dele não adianta muito. Isso é correto?
Isso exige uma boa explicação do médico.
Existe comprovação científica de que o funcionamento do sistema respiratório e a própria ação dos remédios melhoram muito com a perda de alguns quilos.É mau sinal se o médico demora a diagnosticar a origem das crises asmáticas?Não. Os deflagradores dessas crises podem ser tão diversos quanto um produto de limpeza, o excesso de poeira ou a temperatura ambiente. Por essa razão, o paciente deverá contar com auxílio médico para fazer um histórico das crises e tentar chegar à sua origem.Surgiu um medicamento novo para controlar a asma (o Anti-IgE), e o médico nem sequer mencionou o assunto. Ele está desatualizado?O fato de ele não ter falado sobre o novo medicamento não quer dizer que não o conheça. Provavelmente, o remédio não é indicado para o caso em questão. Prescreve-se o Anti-IgE (cujo nome comercial é Xolair) para portadores da forma mais grave de asma – é o caso de apenas cerca de três de cada 1 000 doentes.
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA
O médico indica cirurgia para tratar um caso crônico de bronquite com enfisema. O que devo pensar?A cirurgia é indicada para apenas três de cada 100 000 pacientes. Se o médico achar que você é um deles, é o caso de obter uma segunda opinião – até porque a cirurgia é experimental e não existem dados mostrando que ela aumenta a expectativa de vida.
FIBROSE
O médico aconselha mudanças no estilo de vida, mas não receita nada. É suficiente?
O procedimento mais seguro é prescrever remédios para diminuir a deposição de colágeno (cujo acúmulo no pulmão caracteriza a fibrose) e antiinflamatórios. Também cobre do médico uma lista de exercícios respiratórios.O médico pede uma biópsia para descobrir com precisão a causa da doença. Isso é correto?Depende. Como a fibrose tem mais de 200 causas, o médico pode não chegar a uma conclusão sobre sua origem apenas com os resultados dos exames clínicos ou da tomografia. Mas o paciente precisa ter duas informações antes de submeter-se à biópsia: em 30% dos casos ela é incapaz de apontar as causas da doença e, como todo procedimento invasivo, também apresenta riscos.Dor de cabeça crônicaO que é: incômodo na região da cabeça que tem como origem desde alterações na química cerebral até males como infecções e tumoresQuantas pessoas atinge no Brasil: 56 milhões
UMA CRIANÇA TEM VÁRIOS FAMILIARES QUE SOFREM DE ENXAQUECA.
O médico recomenda uma dieta rigorosa para a criança. É certo privá-la da comida de que ela gosta para prevenir uma dor de cabeça futura?
Sim.
Medidas preventivas tendem a reduzir os riscos da doença. Apesar de haver um forte fator genético para a enxaqueca, a boa notícia é que ela se cura espontaneamente quando surge em crianças de até 10 anos.
O PACIENTE TEM DORES DE CABEÇA FREQÜENTES
Antes de mais nada o médico já manda fazer exames do cérebro com o uso de contrastes. Isso é perigoso?
Existe um risco de alergia aos contrastes injetáveis, mas, com certeza, o médico desconfiou de algo grave. Em 10% dos casos, as dores de cabeça fortes e freqüentes têm como origem aneurismas e tumores. O rigor do médico pode salvar a vida do paciente.O clínico geral entrega os pontos e sugere ao paciente procurar um especialista em enxaqueca. Isso é certo? Certíssimo. O resultado do diagnóstico de um profissional não treinado chega a taxas de erro de mais de 90%.O paciente chega com queixa de dor de cabeça e recebe uma receita para tomar remédios para epilepsia. É erro médico?Vale uma boa conversa com o médico. Embora esse tipo de remédio seja o que existe de mais moderno no tratamento da dor de cabeça, ele só é indicado em casos de extrema gravidade.O médico receita remédios para tratar a enxaqueca de um paciente de 86 anos de idade. Isso é aceitável?Apenas em casos extremos. Em geral, os médicos tendem a contra-indicar tais remédios para pacientes com mais de 65 anos.Um paciente obeso é tratado com remédios para enxaqueca sem mais recomendações. Tudo bem?É o caso de perguntar ao médico se ele não pode receitar outro tipo de remédio. Os tradicionais aumentam o apetite.O médico diz que com apenas mudança de hábitos o paciente pode escapar das crises de cefaléia.Acredite. Um estudo da American Headache Society concluiu que o principal desencadeador das crises de cefaléia é o stress.
ALERGIAS
O que são: reações inflamatórias causadas pela resposta ao contato com substâncias estranhas ao organismoQuantas pessoas atingem no Brasil: 74 milhões
O PACIENTE SOFRE DE CRISES ALÉRGICAS
É aceitável que o primeiro procedimento médico seja a indicação de exames para investigar as causas da alergia?
Não. Antes disso, o médico precisará ser informado sobre detalhes do histórico familiar e dos hábitos de vida do paciente para focar sua investigação e, aí sim, indicar os exames que julgar essenciais para confirmar suas suspeitas.
O PACIENTE É COMPROVADAMENTE ALÉRGICO
O médico fala dos efeitos colaterais dos remédios e cita a sedação. O paciente é motorista profissional. O que fazer?
Alguns antialérgicos têm efeito sedativo. Mas existem compostos que alteram menos os sentidos. Discuta isso com o médico. O médico tem certeza de que as vacinas são o melhor caminho para deter as alergias. Devo aceitar a recomendação sem discutir?Em 70% dos casos as vacinas são recomendadas. Mas é bom saber que elas não têm efeito sobre alergias provocadas por alimentos. Na suspeita de câncer, elas são contra-indicadas.É estranho que o médico não recomende instalar um purificador de ar?Não. Até hoje nenhum estudo científico comprovou a eficácia desses aparelhos para eliminar os ácaros que causam alergias respiratórias. Manter a casa limpa, sem cortinas nem tapetes, funciona melhor.O médico minimiza o temor do paciente de sofrer um choque anafilático durante uma crise alérgica. Isso é correto?Não. Ele deve dizer que esses choques não são comuns e receitar o remédio certo para essas ocasiões. Eles podem salvar a vida.Quando um remédio parece estar causando reação alérgica, é esperado que o médico interrompa seu uso?Depende. Espera-se que antes de suspender o medicamento o médico avalie se é possível submeter o paciente a um procedimento que tem como objetivo tirar sua sensibilidade em relação ao remédio em questão. Se não for o caso, resta a ele substituí-lo.Faz sentido ter uma alergia a látex e ouvir do médico que é preciso evitar abacaxi?Sim. Se for alérgico a látex, questione o médico sobre uma lista específica de alimentos que deve evitar. São duas alergias a que os especialistas se referem como "cruzadas". Se uma delas se manifestou, vale a pena adotar medidas preventivas contra a outra.
Consultores: Fátima Rodrigues Fernandes e Nelson Rosário (alergistas); Ibrahim Pinto, Otávio Rizzi Coelho, Protásio Lemos da Luz e Raul Santos (cardiologistas); Arno von Ristow (cirurgião vascular); Antonio Carlos Lopes, Jacob Faintuch, Milton Glezer e Maurício Hissa (clínicos gerais); Alfredo Halpern, Freddy Eliaschewitz, João Borges, Saulo Cavalcanti e Walmir Coutinho (endocrinologistas); Artur Timerman (infectologista); Mayana Zatz (geneticista); César Eduardo Fernandes, Gisela Itália Andreoni e Sabino Pinho (ginecologistas); Alfredo Barros e Mário Mourão Netto (mastologistas); Abouch Krymchantowski, Cícero Coimbra, Egberto Reis Barbosa e Paulo Bertolucci (neurologistas); Nataniel Viuniski (pediatra); Daniel Deheinzelin (pneumologista); Márcio Bernik e Ricardo Moreno (psiquiatras); Ademar Lopes, Álvaro Sarkis, Charles Rosenblatt e Miguel Srougi (urologistas).
Repruduzido do site da Sociedade Brasileira de Psiquiatria
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=1925
O MÉDICO DIZ QUE A GORDURA ABDOMINAL, O FAMOSO "PNEUZINHO", PODE MATAR. É UM EXAGERO?
Não. O excesso de gordura abdominal triplica os riscos de infarto e derrame e aumenta em cinco vezes a probabilidade de diabetes. Converse com seu médico sobre essas conclusões recentes da ciência médica. Neste ano deve ser aprovado um remédio que ajuda muito a reduzir os "pneuzinhos". É o rimonabant. Discuta com seu médico se você é um candidato a esse remédio.
O MÉDICO ACONSELHA O PACIENTE A MODERAR NOS EXERCÍCIOS FÍSICOS.
Isso mostra a maior confiança dele nos remédios, não?
Não necessariamente. Embora se exercitar seja uma das estratégias mais eficientes no combate à obesidade, o médico tem razão ao contra-indicar certos esportes caso avalie que eles estão causando prejuízos às juntas. O perigo é o surgimento de artrose, doença que diminui a mobilidade das pessoas e leva ao aumento da obesidade.
AO SE QUEIXAR DE APNÉIA DO SONO, A INTERRUPÇÃO FREQÜENTE DOS DUTOS QUE LEVAM AR AOS PULMÕES DURANTE A NOITE, O MÉDICO DIZ AO PACIENTE QUE BASTA ELE EMAGRECER PARA O PROBLEMA ACABAR.
Deve-se acreditar nisso?
Teoricamente, o médico está certo. Mas as pessoas demoram a emagrecer com os tratamentos. Enquanto isso, a apnéia continua atrapalhando a vida delas e dificultando o próprio tratamento da obesidade. O sono reparador emagrece, portanto discuta com o médico as medidas imediatas para diminuir a apnéia. As mais comuns são: dormir de lado, moderar no consumo de bebidas alcoólicas e evitar remédios para induzir ou manter o sono.
UMA CRIANÇA RECEBE O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE.
Os pais e a própria criança não se sentem desconfortáveis com a situação. O médico deve concordar? Não.
Uma criança obesa pode parecer absolutamente sadia, mas estará comprometendo a saúde futura. O médico deve aconselhar os pais a ajudar a criança obesa a perder peso com a adoção de dieta e exercícios físicos. É bom que comece logo. Se uma criança chega obesa aos 2 anos, ela tem 50% de probabilidade de se tornar um adulto gordo.
DISTÚRBIOS CARDIOVASCULARES
O que são: conjunto de doenças que provocam o entupimento das artérias ou que prejudicam o funcionamento do coração
Quantas pessoas atingem no Brasil: 300 000 morrem por ano.
UM PACIENTE DE MEIA-IDADE SADIO PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA INCIDÊNCIA DE DOENÇAS CARDÍACAS
Ele diz ao médico que seus amigos da mesma idade tomam uma aspirina infantil por dia para evitar o primeiro infarto. O médico não se anima com a automedicação. Ele está certo?
Eis uma situação que deve ser resolvida caso a caso. As estatísticas mostram que de 80 a 160 miligramas de aspirina por dia ajudam a prevenir ataque cardíaco em pacientes que já sofreram o primeiro infarto. Por associação, muitos médicos receitam aspirina para pacientes sadios mas que estão acima do peso ou fumam. Discuta com seu médico se é esse o seu caso, se seu estômago tolera bem a ação corrosiva da aspirina. Discuta com ele a hipótese mesmo remota de você sofrer um derrame hemorrágico e, nesse caso, a aspirina, que atrasa a coagulação, piorar o caso.O médico prescreve antiinflamatórios para prevenir o infarto. Ele está certo? O infarto é o lance final de um processo inflamatório. Mesmo assim, o uso de medicamentos antiinflamatórios é contra-indicado tanto para prevenir quanto para tratar distúrbios cardiovasculares. Discuta com o seu médico caso precise usá-los no tratamento de outras doenças.
O PACIENTE RECLAMA DE IMPOTÊNCIA.
O médico manda fazer um chek-up completo.
Um Viagra não basta?
Não. Pedir um check-up é o procedimento esperado dos médicos diante de um quadro de impotência que, claramente, não esteja associado apenas a doenças do aparelho urinário. A impotência pode indicar um problema circulatório mais amplo e ser um sinal avançado de risco cardíaco.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE DOENÇA CARDIOVASCULAR
O médico informa que a pressão sanguínea está dentro dos valores normais, mas opta por continuar com a medicação para controlá-la melhor. Isso significa que ele acha que o estado do paciente é ruim?Não. Ele mostra que está atento aos estudos epidemiológicos mais recentes, que indicam que a interrupção do uso do remédio provavelmente fará a pressão voltar a subir. Discuta com o médico os efeitos colaterais de tomar diuréticos ou bloqueadores do sistema renina-angiotensina para manter a pressão nos padrões mais aceitos como normais.O paciente não tem dor no peito, não está sofrendo infarto, mas a recomendação do médico é cirurgia imediata. O que pensar?A primeira reação do paciente é obter uma segunda opinião. Os bons médicos não se incomodam com esse pedido. Para tornar a conversa com o médico mais produtiva, saiba que a combinação dos dois fatores a seguir sinaliza a necessidade de cirurgia:1) uma coronária importante apresenta obstrução de pelo menos 70%;2) o fluxo sanguíneo total no coração apresenta déficit.Uma vez estabelecida a necessidade de cirurgia, o paciente deve começar a discutir a qual procedimento ele será submetido. Mais e mais as obstruções, mesmo múltiplas, são tratadas de modo menos invasivo por meio de cateteres que viajam dentro das artérias até o local entupido. São cada vez mais raras as cirurgias com abertura do tórax. Se seu médico insistir nessa segunda cirurgia, exija uma explicação detalhada de seu caso.O paciente tem medo de morrer durante o teste de eletro de esforço, aquele da esteira em que o coração é monitorado. O médico minimiza o risco. O que fazer?O risco existe. Afinal, o coração será testado em seu limite máximo. Em havendo um distúrbio não detectado pela auscultação e pelo eletro em repouso, existe o risco, ainda que pequeno, de sofrer uma parada cardíaca. Só aceite fazer o teste de esforço em locais com pessoal preparado e equipamentos de ressuscitação.
O PACIENTE JÁ SOFREU INFARTO, TRATOU-SE E VOLTA AO MÉDICO
O médico receita remédios para trazer as taxas de colesterol para níveis abaixo dos normais. Ele está sendo exagerado? Não.
Os níveis de colesterol nesse caso devem estar sempre abaixo da média considerada ideal. Segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association, essa providência não apenas impede a formação de novas placas nas artérias como diminui as obstruções já existentes. Obter taxas muito baixas de colesterol apenas com o uso das estatinas (as drogas mais receitadas nesse caso) exige a prescrição das mais altas doses. Se esse for seu caso, pergunte a seu médico o que ele pretende fazer para evitar os efeitos colaterais raros, mas graves, associados ao uso das estatinas. São efeitos sobre o fígado e os músculos. Discuta com ele o uso combinado de outra classe de drogas anticolesterol, aquelas que agem apenas sobre a absorção de gorduras nos intestinos sem afetar o fígado.O médico insiste no tratamento psicológico além do clínico. Isso é dispensável?Os médicos que aconselham acompanhamento psicológico estão amparados pela boa literatura médica recente: 40% das pessoas que têm o coração operado desenvolvem quadros de depressão e ansiedade – o que pode atrapalhar o tratamento.
CÂNCER
O que é: multiplicação desordenada das células que leva à formação de tumores malignos
Quantas pessoas atinge no Brasil: 500 000 por ano.
O PACIENTE PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA DOENÇA
O médico proíbe o fumo e corta os dois cigarrinhos por dia que o paciente se dava ao luxo de fumar.
Melhor mudar de médico? Não.
Basta um cigarro por dia (mesmo do tipo light) para tornar uma pessoa mais vulnerável ao aparecimento de tumores.
O médico proíbe aquela dose diária de uísque ou as duas taças de vinho que "são boas para o coração". Melhor mudar de médico? Não.
Mesmo em doses pequenas, o consumo habitual de álcool predispõe ao aparecimento de câncer na boca, no esôfago e no estômago.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE CÂNCER.
A paciente insiste com o médico que ainda assim deseja engravidar. O médico aconselha a focar na doença.Discuta com ele a possibilidade de congelar óvulos para futura inseminação. O médico manda parar o uso de qualquer medicamento que contenha hormônios. A paciente insiste em manter as pílulas anticoncepcionais...Se o médico for conclusivo e mantiver a proibição, não adianta mudar de médico. O controle dos hormônios é vital para o acompanhamento da eficiência do ataque aos tumores. O médico não recomenda exames de imagem capazes de localizar metástases invisíveis a outros métodos. Isso é estranho?Discuta com ele, pois essa atitude pode ser a mais correta. Dado o diagnóstico inicial, o importante é que o tratamento seja feito o mais rapidamente possível e com toda a disciplina. Quanto antes se iniciar a terapia, menor é o risco de a doença se espalhar para outros órgãos.
METÁSTASE
Os anticorpos monoclonais são parte dos modernos tratamentos do câncer metastático. O que fazer se seu médico não os receitar? O médico pode não os prescrever. Até hoje esses remédios foram desenvolvidos para apenas alguns casos de metástase de câncer de mama, colo, o de pulmão e leucemias.
CÂNCER DE MAMA
O médico recomenda de cara a retirada do seio atingido.
O que fazer?
Ouvir a opinião de outro médico ajuda a tomar a decisão sem a sensação de que se fez a coisa errada. Todas as cirurgias de câncer retiram uma parte da mama. Discuta com o médico a possibilidade da cirurgia dupla: a retirada do seio e sua reconstrução imediata com prótese de silicone ou com o uso de músculos do abdômen. O médico sugere a retirada preventiva dos ovários para evitar o reaparecimento da doença. O que se deve considerar nesses casos?Pergunte a seu médico se o câncer diagnosticado em você é do tipo que tem receptores para o estrogênio ou do tipo que não tem esses receptores. Essa diferença é crucial na definição do tratamento. Se o seu caso for positivo, a retirada dos ovários pode ser recomendada, uma vez que eles produzem hormônios que estimulam o crescimento do tumor.O uso da radioterapia já durante as operações de extirpação de tumores de mama tem ganho adeptos. Seu médico a descarta como uma inutilidade. O que pensar? Essa técnica é um avanço em relação à radioterapia convencional pois minimiza os efeitos colaterais. Ela, no entanto, não tem aplicação em todos os tipos de câncer. Discuta com o médico as razões pelas quais ele descarta esse procedimento.
CÂNCER DE PRÓSTATA
Depois da biópsia, o médico não tem dúvida e recomenda uma cirurgia.
Vale a pena argumentar? Sim, e muito.
O câncer de próstata é um dos grandes desafios da medicina atual. Os exames não dão resultado apenas negativo ou positivo. Existem dezenas de variáveis que tornam a abordagem desse câncer muito complexa. Discuta com seu médico qual a gradação do seu câncer na escala Gleason. Pergunte sobre o teste de Kattan, questionário pelo qual é possível calcular com objetividade as chances de cura por meio de uma intervenção cirúrgica. Os remédios funcionam para combater a impotência causada pelo tratamento?Os médicos precisam informar ao paciente que nem sempre tais remédios dão certo. Ao lado das antigas injeções, eles têm surtido efeito positivo em 70% dos casos. Se não funcionarem, questione o médico sobre a possibilidade de fazer uma prótese peniana.
REPOSIÇÃO HORMONAL: UM DILEMA SEM RESPOSTA SIMPLES
A reposição hormonal, técnica utilizada desde meados da década de 60 para atenuar os sintomas da menopausa, é um dos tratamentos mais procurados por mulheres brasileiras em torno dos 50 anos. É um procedimento que até hoje não obteve unanimidade. São óbvios os benefícios do uso de hormônios, como o estrógeno e a progesterona. As mulheres que fazem reposição hormonal na menopausa livram-se dos incômodos típicos dessa fase da vida, como as ondas de calor e a instabilidade de humor. Há melhora expressiva na vida sexual e até na aparência física.As dúvidas começam quando se estudam os riscos resultantes do tratamento com hormônios. A mais crucial das divergências diz respeito aos riscos cardíacos causados pela reposição hormonal. O dado mais assustador foi produzido por um estudo de 2002 conduzido nos Estados Unidos pelo National Institutes of Health. Mulheres que fizeram reposição hormonal viram a probabilidade de sofrer um infarto crescer 29%. Os riscos de derrame aumentaram 41%. São números fortes o suficiente para desaconselhar o tratamento. O problema é que os resultados não são conclusivos.Meses depois, uma equipe de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, tornou público um trabalho de igual magnitude que chegou a conclusões diametralmente opostas: os hormônios adicionais protegeriam o coração das mulheres na menopausa. Desde então os estudos se revezam, sempre com conclusões que trazem mais confusão à cabeça das mulheres. A última palavra que a ciência tem sobre a reposição hormonal, portanto, é um ponto de interrogação. É frustrante. Mas é isso.A dúvida tornou os médicos mais conservadores em relação à prescrição da terapia, que passou a ser empregada com todas as ressalvas: o procedimento-padrão, agora, é receitar a reposição apenas quando os sintomas da menopausa forem excessivamente incômodos à paciente. Outro efeito da polêmica científica foi a redução das doses de hormônio aplicadas no tratamento e a sua duração – o tempo médio da terapia caiu de dez para cinco anos. Por fim, os médicos deixaram de indicar o início do tratamento em mulheres com mais de 60 anos, idade a partir da qual os riscos de um problema cardíaco são naturalmente maiores. Conclui o ginecologista César Fernandes, vice-presidente da Sobrac, a sociedade brasileira que reúne médicos especializados em menopausa: "Antes de receitar a terapia, é preciso pesar se os benefícios que ela proporciona podem ultrapassar seus riscos aparentes. Cada caso vai ter uma resposta diferente".
DOENÇAS CEREBRAIS DEGENERATIVAS
O que são: males que comprometem o funcionamento dos neurônios no cérebro. Os mais freqüentes são Alzheimer e Parkinson
Quantas pessoas atingem no Brasil: 1,5 milhão.
O PACIENTE FICA SABENDO QUE SOFRE DA DOENÇA DE PARKINSON.
O médico informa que pode evitar a progressão da doença. Mas isso é possível? Sim.
Os médicos certamente indicarão uma das únicas medidas preventivas de efeito comprovado: a prática de exercícios físicos regulares – hábito que minimiza as perdas típicas de flexibilidade e mobilidade do corpo, além de ajudar no controle da ansiedade. Funciona tão bem quanto as pílulas para conter a doença, segundo concluiu um recente estudo feito na Universidade Harvard.O médico proíbe o paciente de dirigir automóvel. Como ele pode saber que a pessoa perdeu essa capacidade?Com uma detalhada avaliação clínica, ele pode saber, sim. Na dúvida, converse com o médico a respeito de um novo teste neuropsicológico desenvolvido por pesquisadores australianos, justamente para medir a capacidade de dirigir do paciente.Na primeira consulta, o médico aconselha a cirurgia. Não é afobação?É estranho. Só se deve recorrer à cirurgia quando todos os outros tratamentos deixaram de surtir efeito. Em havendo a decisão de ir para a cirurgia, o paciente deve se informar sobre os possíveis resultados. A operação é delicada, mas pode aliviar os sintomas. Não tem poder de cura.
O PACIENTE TEM HISTÓRICO FAMILIAR DA DOENÇA DE ALZHEIMER, MAS NÃO APRESENTA NENHUM SINTOMA.
O médico diz que não se deve esperar pelos sintomas e aconselha a agir já. Está certo? Está amparado em pesquisas. O histórico familiar para a doença de Alzheimer é um sinal de perigo. Discuta com seu médico o grau de parentesco da pessoa que teve a doença na família e pergunte a ele se o fato de você se parecer muito fisicamente com o doente significa risco maior de herdar a doença de Alzheimer. Pesquisas indicam que o uso de antiinflamatórios e estatinas, aliado à prática de exercícios físicos e à atividade intelectual, tem efeito positivo na prevenção da doença.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE ALZHEIMER.
O médico diz que não tem dúvida, mas exige mais exames de imagem do cérebro.
É um sacrifício inútil? Não.
Depois de fazer a avaliação clínica do paciente, o médico recorrerá à tomografia computadorizada ou à ressonância magnética para traçar com maior precisão os danos já provocados no cérebro e as áreas mais afetadas.De posse dos exames, o médico diz que o tratamento vai apenas diminuir o ritmo do avanço da doença. Ele não está sendo conservador?Infelizmente não. A única abordagem do problema são os inibidores da colinesterase. Em 40% dos casos, eles conseguem manter o paciente no mesmo estágio da doença por um prazo de dois anos.
DOENÇAS PULMONARES
O que são: doenças que prejudicam o funcionamento do sistema respiratório
Quantas pessoas atingem no Brasil: 28 milhões.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE UMA DOENÇA PULMONAR.
Não ter fumado teria evitado o problema, diz o médico, para quem agora é tarde para parar. O que pensar dessa recomendação?
Mude de médico.
O cigarro perpetua o processo inflamatório típico da maioria das doenças pulmonares.Exercícios físicos, sim, mas só os recomendados, diz o médico. O que isso significa?O médico tem razão em manter controle total sobre o tipo e o grau de atividade física que o paciente desempenha. Não saia do consultório sem uma lista dos exercícios recomendados e aqueles que devem ser evitados.
ASMA
O paciente obeso ouve do médico que emagrecer no caso dele não adianta muito. Isso é correto?
Isso exige uma boa explicação do médico.
Existe comprovação científica de que o funcionamento do sistema respiratório e a própria ação dos remédios melhoram muito com a perda de alguns quilos.É mau sinal se o médico demora a diagnosticar a origem das crises asmáticas?Não. Os deflagradores dessas crises podem ser tão diversos quanto um produto de limpeza, o excesso de poeira ou a temperatura ambiente. Por essa razão, o paciente deverá contar com auxílio médico para fazer um histórico das crises e tentar chegar à sua origem.Surgiu um medicamento novo para controlar a asma (o Anti-IgE), e o médico nem sequer mencionou o assunto. Ele está desatualizado?O fato de ele não ter falado sobre o novo medicamento não quer dizer que não o conheça. Provavelmente, o remédio não é indicado para o caso em questão. Prescreve-se o Anti-IgE (cujo nome comercial é Xolair) para portadores da forma mais grave de asma – é o caso de apenas cerca de três de cada 1 000 doentes.
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA
O médico indica cirurgia para tratar um caso crônico de bronquite com enfisema. O que devo pensar?A cirurgia é indicada para apenas três de cada 100 000 pacientes. Se o médico achar que você é um deles, é o caso de obter uma segunda opinião – até porque a cirurgia é experimental e não existem dados mostrando que ela aumenta a expectativa de vida.
FIBROSE
O médico aconselha mudanças no estilo de vida, mas não receita nada. É suficiente?
O procedimento mais seguro é prescrever remédios para diminuir a deposição de colágeno (cujo acúmulo no pulmão caracteriza a fibrose) e antiinflamatórios. Também cobre do médico uma lista de exercícios respiratórios.O médico pede uma biópsia para descobrir com precisão a causa da doença. Isso é correto?Depende. Como a fibrose tem mais de 200 causas, o médico pode não chegar a uma conclusão sobre sua origem apenas com os resultados dos exames clínicos ou da tomografia. Mas o paciente precisa ter duas informações antes de submeter-se à biópsia: em 30% dos casos ela é incapaz de apontar as causas da doença e, como todo procedimento invasivo, também apresenta riscos.Dor de cabeça crônicaO que é: incômodo na região da cabeça que tem como origem desde alterações na química cerebral até males como infecções e tumoresQuantas pessoas atinge no Brasil: 56 milhões
UMA CRIANÇA TEM VÁRIOS FAMILIARES QUE SOFREM DE ENXAQUECA.
O médico recomenda uma dieta rigorosa para a criança. É certo privá-la da comida de que ela gosta para prevenir uma dor de cabeça futura?
Sim.
Medidas preventivas tendem a reduzir os riscos da doença. Apesar de haver um forte fator genético para a enxaqueca, a boa notícia é que ela se cura espontaneamente quando surge em crianças de até 10 anos.
O PACIENTE TEM DORES DE CABEÇA FREQÜENTES
Antes de mais nada o médico já manda fazer exames do cérebro com o uso de contrastes. Isso é perigoso?
Existe um risco de alergia aos contrastes injetáveis, mas, com certeza, o médico desconfiou de algo grave. Em 10% dos casos, as dores de cabeça fortes e freqüentes têm como origem aneurismas e tumores. O rigor do médico pode salvar a vida do paciente.O clínico geral entrega os pontos e sugere ao paciente procurar um especialista em enxaqueca. Isso é certo? Certíssimo. O resultado do diagnóstico de um profissional não treinado chega a taxas de erro de mais de 90%.O paciente chega com queixa de dor de cabeça e recebe uma receita para tomar remédios para epilepsia. É erro médico?Vale uma boa conversa com o médico. Embora esse tipo de remédio seja o que existe de mais moderno no tratamento da dor de cabeça, ele só é indicado em casos de extrema gravidade.O médico receita remédios para tratar a enxaqueca de um paciente de 86 anos de idade. Isso é aceitável?Apenas em casos extremos. Em geral, os médicos tendem a contra-indicar tais remédios para pacientes com mais de 65 anos.Um paciente obeso é tratado com remédios para enxaqueca sem mais recomendações. Tudo bem?É o caso de perguntar ao médico se ele não pode receitar outro tipo de remédio. Os tradicionais aumentam o apetite.O médico diz que com apenas mudança de hábitos o paciente pode escapar das crises de cefaléia.Acredite. Um estudo da American Headache Society concluiu que o principal desencadeador das crises de cefaléia é o stress.
ALERGIAS
O que são: reações inflamatórias causadas pela resposta ao contato com substâncias estranhas ao organismoQuantas pessoas atingem no Brasil: 74 milhões
O PACIENTE SOFRE DE CRISES ALÉRGICAS
É aceitável que o primeiro procedimento médico seja a indicação de exames para investigar as causas da alergia?
Não. Antes disso, o médico precisará ser informado sobre detalhes do histórico familiar e dos hábitos de vida do paciente para focar sua investigação e, aí sim, indicar os exames que julgar essenciais para confirmar suas suspeitas.
O PACIENTE É COMPROVADAMENTE ALÉRGICO
O médico fala dos efeitos colaterais dos remédios e cita a sedação. O paciente é motorista profissional. O que fazer?
Alguns antialérgicos têm efeito sedativo. Mas existem compostos que alteram menos os sentidos. Discuta isso com o médico. O médico tem certeza de que as vacinas são o melhor caminho para deter as alergias. Devo aceitar a recomendação sem discutir?Em 70% dos casos as vacinas são recomendadas. Mas é bom saber que elas não têm efeito sobre alergias provocadas por alimentos. Na suspeita de câncer, elas são contra-indicadas.É estranho que o médico não recomende instalar um purificador de ar?Não. Até hoje nenhum estudo científico comprovou a eficácia desses aparelhos para eliminar os ácaros que causam alergias respiratórias. Manter a casa limpa, sem cortinas nem tapetes, funciona melhor.O médico minimiza o temor do paciente de sofrer um choque anafilático durante uma crise alérgica. Isso é correto?Não. Ele deve dizer que esses choques não são comuns e receitar o remédio certo para essas ocasiões. Eles podem salvar a vida.Quando um remédio parece estar causando reação alérgica, é esperado que o médico interrompa seu uso?Depende. Espera-se que antes de suspender o medicamento o médico avalie se é possível submeter o paciente a um procedimento que tem como objetivo tirar sua sensibilidade em relação ao remédio em questão. Se não for o caso, resta a ele substituí-lo.Faz sentido ter uma alergia a látex e ouvir do médico que é preciso evitar abacaxi?Sim. Se for alérgico a látex, questione o médico sobre uma lista específica de alimentos que deve evitar. São duas alergias a que os especialistas se referem como "cruzadas". Se uma delas se manifestou, vale a pena adotar medidas preventivas contra a outra.
Consultores: Fátima Rodrigues Fernandes e Nelson Rosário (alergistas); Ibrahim Pinto, Otávio Rizzi Coelho, Protásio Lemos da Luz e Raul Santos (cardiologistas); Arno von Ristow (cirurgião vascular); Antonio Carlos Lopes, Jacob Faintuch, Milton Glezer e Maurício Hissa (clínicos gerais); Alfredo Halpern, Freddy Eliaschewitz, João Borges, Saulo Cavalcanti e Walmir Coutinho (endocrinologistas); Artur Timerman (infectologista); Mayana Zatz (geneticista); César Eduardo Fernandes, Gisela Itália Andreoni e Sabino Pinho (ginecologistas); Alfredo Barros e Mário Mourão Netto (mastologistas); Abouch Krymchantowski, Cícero Coimbra, Egberto Reis Barbosa e Paulo Bertolucci (neurologistas); Nataniel Viuniski (pediatra); Daniel Deheinzelin (pneumologista); Márcio Bernik e Ricardo Moreno (psiquiatras); Ademar Lopes, Álvaro Sarkis, Charles Rosenblatt e Miguel Srougi (urologistas).
Repruduzido do site da Sociedade Brasileira de Psiquiatria
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=1925
HEPATITE Informação é um ‘santo’ remédio para conter vírus.
O vírus da Hepatite (B e outras) deve ser combatido com remédios apropriados, mas campanhas preventivas, como a do Ministério da Saúde, são fundamentais
RICARDO CÉSAR GOYÁ
O carnaval brasileiro condiz com um cenário simbólico no imaginário popular no qual a folia e sensualidade são atores principais dessa peça. Porém, por trás de toda essa alegria e liberdade sexual existe alguns agentes que ocupam o papel de antagonistas dentro dessa trama, como as Doenças Sexualmente Transmissíveis. A Hepatite B tem se destacado como uma das que mais preocupam especialistas brasileiros e de todo o mundo. A notoriedade dessa doença se dá porque o número de casos de Hepatite B notificados aumenta a cada ano, principalmente pela desinformação sobre os efeitos, contágio e profilaxia dessa doença. Por mais que as propagandas do governo federal sejam voltadas, em média, à precaução da Aids, acidentes e drogas, há outras doenças perigosas que se propagam em grande escala. A indicação de especialistas de áreas da medicina preventiva, como epidemiologistas, infectologistas e hepatologistas, é de que a desinformação potencialize o aumento do contágio da doença. Atualmente, segundo dados do próprio Ministério da Saúde, há cerca de 2 milhões de portadores do vírus Hepatite B no país. Pesquisa do Instituto de Infectologia Emílio Ribas mostra que 76 por cento dos habitantes da maior cidade do país, São Paulo, não sabem “o que é” e “como se dá” a contaminação das hepatites virais, principalmente no que diz respeito ao contato sexual. Embora seja 20 vezes mais contagiosa do que a Aids, silenciosa (sem apresentações dos sintomas), somada à desinformação da população sobre o seu contágio, a doença é diagnosticada na maior parte das vezes em sua fase crônica, podendo causar sérios danos ao organismo como cirrose e câncer de fígado. Para discutir os problemas das hepatites e melhorar a assistência aos portadores da doença, o Ministério da Saúde pretende lançar o esperado Plano Nacional de Controle das Hepatites Virais na segunda quinzena de março. Criado em fevereiro de 2002, pela Portaria 263/02 do Ministério da Saúde, o plano busca desenvolver ações de prevenção e promoção da saúde, além de garantir o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. Mediante a esses propósitos, a coordenadora do Programa Nacional de Hepatite do Ministério da Saúde, Jerusa Maria Figueiredo, especialista em infectologia e epidemiologia, garante que a primeira ação dentro das diretrizes desse plano será o lançamento de uma campanha publicitária visando a conscientização da população sobre as hepatites virais. “As mensagens informando sobre ‘o que é’, ‘como se contrai’ e ‘como se previne’ serão veiculadas em jornais, revistas, emissoras de rádios em todo o país. A idéia é de que comecemos a sanar a desinformação das pessoas sobre os perigos dessa doença. Ou seja, definimos políticas públicas de prevenção.” O desconhecimento da doença e a subnotificação são evidentes e têm contribuído para o agravamento do quadro da doença e a morte de pacientes. Hoje, estima-se que cerca de 300 mil pessoas necessitem de tratamento, mas apenas 9 mil estão sendo tratadas pelo SUS, o que corresponde a somente 3 por cento dos que precisam de acompanhamento médico. Doença — A Hepatite B é uma doença infecciosa, sexualmente transmissível, que provoca inflamação no fígado. É causada pelo vírus HBV e também pode ser transmitida por via parenteral (durante a gestação) e perinatal (durante o parto), informa o professor da Faculdade de Medicina da UFG e especialista em hepatologia, Heitor Rosa. “Após a fase inflamatória, o vírus pode ser eliminado naturalmente do organismo ou causar uma doença inflamatória crônica que, após alguns anos, pode levar a complicações hepáticas como cirrose e câncer de fígado.” A palavra hepatite é originada do grego hepatitis, em que hepato significa fígado e itis inflamação. Dito de outra forma, hepatite designa qualquer degeneração do fígado por causas diversas, sendo as mais freqüentes as infecções pelos vírus tipo A, B e C e o abuso do consumo de álcool ou outras substâncias tóxicas (como alguns remédios). “Tanto o álcool quanto os vírus destroem as células hepáticas”, afirma Heitor Rosa. Normalmente, mesmo após essa destruição, o fígado consegue se regenerar, mas quando o processo é intenso deixa cicatrizes irreversíveis conhecidas como cirrose. Enquanto os vírus atacam o fígado quando parasitam suas células para a sua reprodução, a cirrose dos alcoólatras é causada pela ingestão freqüente de bebidas alcoólicas — uma vez no organismo, o etanol é metabolizado e transformado em ácidos nocivos às células hepáticas. Geralmente, após a infecção pelo HBV, os sintomas da Hepatite B demoram de 1 a 4 meses para aparecer. Esse prazo, porém, pode ser maior ou a doença tornar-se assintomática, ou seja, o portador do vírus da hepatite pode demorar anos para ter algum sintoma ou nunca vir a tê-los. Os principais sintomas na fase aguda são febre, dor nas articulações, náuseas, mal-estar e dor de cabeça. Em 20 ou 30 por cento dos casos pode surgir icterícia (pele amarelada) e colúria (urina escurecida), o que facilita o diagnóstico.
Walmar Ribas Júnior, farmacêutico: “Cadastrado, o paciente recebe mensalmente sua medicação”
Após cerca de seis meses, a fase aguda se resolve e o paciente pode ficar imune ao vírus e nunca mais ser infectado novamente ou pode ainda tornar-se portador assintomático (sem sintomas) do vírus. Neste caso, o paciente sofre danos em seu fígado e pode transmitir o vírus sexualmente ou através de seu sangue. Em alguns casos a infecção pode evoluir para uma hepatite crônica que provoca lesões no fígado como cirrose (cicatrização desorganizada do tecido hepático) e hepatocarcinoma (câncer hepático). O tratamento pode ser feito com interferon, uma substância antiviral produzida pelo organismo que pode eliminar o vírus HBV, que deve ser mantido durante 16 a 24 semanas e consiste na aplicação de injeções subcutâneas de interferon (na coxa ou abdômen) três vezes por semana. Em alguns casos, as injeções devem ser aplicadas diariamente. O tratamento é caro e pode gerar efeitos colaterais como febre, náusea, queda de cabelo e dor no corpo semelhante a dos quadros gripais. O uso prolongado de interferon (medicamento que modula, inibe a reprodução viral) pode provocar anemia, queda do número de plaquetas no sangue e depressão psicológica. Drogas como a lamivudina, inicialmente usada para o tratamento de Aids, e o tenofovir têm atividade contra o HBV e podem ser utilizadas para combater a Hepatite B. O governo federal conta hoje com um Programa de Medicação Excepcional que abrange mais de 100 itens, tratando de 50 patologias, inclusive as hepatites virais. A princípio o programa abrangia cerca de 5 mil pacientes portadores de doenças retrovirais em Goiás. Contudo, bons resultados foram aparecendo e o governo decidiu expandi-lo para o tratamento de epidemias, abrangendo hoje cerca de 28 mil pessoas. Dentro dessa política de inclusão social, medicamentos como o interferon e a lamivudina (medicamento fabricado pela Iquego, vendido a 2 reais 16 centavos) são comprados pelos Estados, que são ressarcidos pelo ministério em 50 por cento da contrapartida. “O panorama que notificamos é que todos os Estados da federação estão sobrecarregados com o custeio da metade do valor dos remédios”, diz o farmacêutico/bioquímico e diretor do Centro de Medicamento de Alto Custo (Cemac/Juarez Barbosa), Walmar Ribas Júnior. Em Goiás, o Centro de Medicamento de Alto Custo (Cemac) é um dos órgão do governo do Estado responsáveis pela distribuição de anti-retrovirais. Existem cadastrados hoje no Cemac da capital cerca de 120 pacientes que utilizam os remédios destinados ao combate dessa doença viral. No caso da Hepatite B, o paciente dentro da unidade é atendido em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. “Quando o paciente é encaminhado ao Centro por um infectologista e/ou hepatologista para o uso de medicamentos ao tratamento da Hepatite B, o Cemac avalia internamente a procedência do caso. Se tudo estiver de acordo com o protocolo normatizado pelo Ministério da Saúde, o paciente é cadastrado e recebe mensalmente sua medicação. Estamos acirrando a política de descentralização da saúde em Goiás. Abriremos um novo Cemac em Anápolis ainda este mês. A intenção, até o final do ano, é que as grandes cidades de regiões distintas do Estado, como Rio Verde e Itumbiara, tenham essa unidade de saúde”, informa o diretor. Prevenção — A vacina contra a Hepatite B faz parte do calendário oficial de vacinação preconizado pelo Ministério da Saúde e protege o indivíduo por toda a vida, informa a responsável pelo Programa Nacional de Hepatite B, Jeruza Maria Figueiredo. A primeira das três doses é aplicada logo após o nascimento e as demais após alguns meses de intervalo. Como a vacina passou a fazer parte do calendário recentemente, muitos adultos não foram vacinados e devem procurar um posto de saúde para recebê-la. “A imunização da fase adulta é necessária. Por meio disso, as pessoas criam anticorpos para defender o organismo contra o vírus da Hepatite B. Além disso, essa vacina é oferecida gratuitamente na rede pública de saúde”, diz o diretor do Cemac, Walmar Ribas Júnior. A prevenção ainda é a melhor medida para se imunizar da doença, completa Walmar. Uso de preservativos, número seleto de parceiros, não compartilhamento de agulhas são algumas das maneiras de se evitar o contágio da Hepatite B. “Mesmo com todas essas medidas de imunização e prevenção o número de casos no país não pára de crescer. As pessoas necessitam de informações sobre o que é e como é a doença”, diz. A mais conhecida e comum das hepatites é a do tipo A. Transmitida por água e alimentos contaminados, ou de uma pessoa para outra, a doença fica incubada entre dez e 50 dias. Esta infecção normalmente não causa sintomas, porém, quando presentes, os mais comuns são febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômitos, mal-estar, desconforto abdominal, falta de apetite, urina escurecida e fezes esbranquiçadas. A detecção se faz por exame de sangue e não há tratamento específico, esperando-se o paciente reagir sozinho contra a doença — a letalidade não ultrapassa 0,1 por cento. “Existe vacina contra o vírus da hepatite A (HAV), mas a melhor maneira de evitá-la se dá pelo saneamento básico, tratamento adequado da água, alimentos bem cozidos e pelo ato de lavar sempre as mãos antes das refeições”, aconselha o diretor do Cemac. Os vírus da Hepatite tipo B (HBV) e C (HCV) são transmitidos sobretudo por meio do sangue. Usuários de drogas injetáveis e pacientes submetidos a material cirúrgico contaminado e não-descartável estão entre as maiores vítimas, daí o cuidado que se deve ter nas transfusões sangüíneas, no dentista, em sessões de depilação ou tatuagem. Com letalidade em torno de 1 por cento, o vírus da Hepatite B pode ser passado pelo contato sexual, reforçando a necessidade do uso de camisinha. “A transmissão sexual do vírus da hepatite C pode ocorrer, mas é rara”, diz o professor Heitor Rosa. Freqüentemente, os sinais das hepatites B e C podem não aparecer e grande parte dos infectados só acaba descobrindo que tem a doença após anos e muitas vezes, por acaso, em testes para esses vírus. Quando aparecem, os sintomas são muito similares ao da Hepatite A, mas, ao contrário desta, a B e a C podem evoluir para um quadro crônico e então para uma cirrose ou até câncer de fígado. “Isso vai depender muito do perfil de cada paciente: se ele faz uso de álcool, as chances aumentam, quanto mais jovem se contrair a hepatite B, mais chances se tem de se evoluir para a forma crônica — na Hepatite C, a situação é inversa”, diz o professor.
Enviado por Jorge Alves Forum Nacional de Hepatites
RICARDO CÉSAR GOYÁ
O carnaval brasileiro condiz com um cenário simbólico no imaginário popular no qual a folia e sensualidade são atores principais dessa peça. Porém, por trás de toda essa alegria e liberdade sexual existe alguns agentes que ocupam o papel de antagonistas dentro dessa trama, como as Doenças Sexualmente Transmissíveis. A Hepatite B tem se destacado como uma das que mais preocupam especialistas brasileiros e de todo o mundo. A notoriedade dessa doença se dá porque o número de casos de Hepatite B notificados aumenta a cada ano, principalmente pela desinformação sobre os efeitos, contágio e profilaxia dessa doença. Por mais que as propagandas do governo federal sejam voltadas, em média, à precaução da Aids, acidentes e drogas, há outras doenças perigosas que se propagam em grande escala. A indicação de especialistas de áreas da medicina preventiva, como epidemiologistas, infectologistas e hepatologistas, é de que a desinformação potencialize o aumento do contágio da doença. Atualmente, segundo dados do próprio Ministério da Saúde, há cerca de 2 milhões de portadores do vírus Hepatite B no país. Pesquisa do Instituto de Infectologia Emílio Ribas mostra que 76 por cento dos habitantes da maior cidade do país, São Paulo, não sabem “o que é” e “como se dá” a contaminação das hepatites virais, principalmente no que diz respeito ao contato sexual. Embora seja 20 vezes mais contagiosa do que a Aids, silenciosa (sem apresentações dos sintomas), somada à desinformação da população sobre o seu contágio, a doença é diagnosticada na maior parte das vezes em sua fase crônica, podendo causar sérios danos ao organismo como cirrose e câncer de fígado. Para discutir os problemas das hepatites e melhorar a assistência aos portadores da doença, o Ministério da Saúde pretende lançar o esperado Plano Nacional de Controle das Hepatites Virais na segunda quinzena de março. Criado em fevereiro de 2002, pela Portaria 263/02 do Ministério da Saúde, o plano busca desenvolver ações de prevenção e promoção da saúde, além de garantir o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. Mediante a esses propósitos, a coordenadora do Programa Nacional de Hepatite do Ministério da Saúde, Jerusa Maria Figueiredo, especialista em infectologia e epidemiologia, garante que a primeira ação dentro das diretrizes desse plano será o lançamento de uma campanha publicitária visando a conscientização da população sobre as hepatites virais. “As mensagens informando sobre ‘o que é’, ‘como se contrai’ e ‘como se previne’ serão veiculadas em jornais, revistas, emissoras de rádios em todo o país. A idéia é de que comecemos a sanar a desinformação das pessoas sobre os perigos dessa doença. Ou seja, definimos políticas públicas de prevenção.” O desconhecimento da doença e a subnotificação são evidentes e têm contribuído para o agravamento do quadro da doença e a morte de pacientes. Hoje, estima-se que cerca de 300 mil pessoas necessitem de tratamento, mas apenas 9 mil estão sendo tratadas pelo SUS, o que corresponde a somente 3 por cento dos que precisam de acompanhamento médico. Doença — A Hepatite B é uma doença infecciosa, sexualmente transmissível, que provoca inflamação no fígado. É causada pelo vírus HBV e também pode ser transmitida por via parenteral (durante a gestação) e perinatal (durante o parto), informa o professor da Faculdade de Medicina da UFG e especialista em hepatologia, Heitor Rosa. “Após a fase inflamatória, o vírus pode ser eliminado naturalmente do organismo ou causar uma doença inflamatória crônica que, após alguns anos, pode levar a complicações hepáticas como cirrose e câncer de fígado.” A palavra hepatite é originada do grego hepatitis, em que hepato significa fígado e itis inflamação. Dito de outra forma, hepatite designa qualquer degeneração do fígado por causas diversas, sendo as mais freqüentes as infecções pelos vírus tipo A, B e C e o abuso do consumo de álcool ou outras substâncias tóxicas (como alguns remédios). “Tanto o álcool quanto os vírus destroem as células hepáticas”, afirma Heitor Rosa. Normalmente, mesmo após essa destruição, o fígado consegue se regenerar, mas quando o processo é intenso deixa cicatrizes irreversíveis conhecidas como cirrose. Enquanto os vírus atacam o fígado quando parasitam suas células para a sua reprodução, a cirrose dos alcoólatras é causada pela ingestão freqüente de bebidas alcoólicas — uma vez no organismo, o etanol é metabolizado e transformado em ácidos nocivos às células hepáticas. Geralmente, após a infecção pelo HBV, os sintomas da Hepatite B demoram de 1 a 4 meses para aparecer. Esse prazo, porém, pode ser maior ou a doença tornar-se assintomática, ou seja, o portador do vírus da hepatite pode demorar anos para ter algum sintoma ou nunca vir a tê-los. Os principais sintomas na fase aguda são febre, dor nas articulações, náuseas, mal-estar e dor de cabeça. Em 20 ou 30 por cento dos casos pode surgir icterícia (pele amarelada) e colúria (urina escurecida), o que facilita o diagnóstico.
Walmar Ribas Júnior, farmacêutico: “Cadastrado, o paciente recebe mensalmente sua medicação”
Após cerca de seis meses, a fase aguda se resolve e o paciente pode ficar imune ao vírus e nunca mais ser infectado novamente ou pode ainda tornar-se portador assintomático (sem sintomas) do vírus. Neste caso, o paciente sofre danos em seu fígado e pode transmitir o vírus sexualmente ou através de seu sangue. Em alguns casos a infecção pode evoluir para uma hepatite crônica que provoca lesões no fígado como cirrose (cicatrização desorganizada do tecido hepático) e hepatocarcinoma (câncer hepático). O tratamento pode ser feito com interferon, uma substância antiviral produzida pelo organismo que pode eliminar o vírus HBV, que deve ser mantido durante 16 a 24 semanas e consiste na aplicação de injeções subcutâneas de interferon (na coxa ou abdômen) três vezes por semana. Em alguns casos, as injeções devem ser aplicadas diariamente. O tratamento é caro e pode gerar efeitos colaterais como febre, náusea, queda de cabelo e dor no corpo semelhante a dos quadros gripais. O uso prolongado de interferon (medicamento que modula, inibe a reprodução viral) pode provocar anemia, queda do número de plaquetas no sangue e depressão psicológica. Drogas como a lamivudina, inicialmente usada para o tratamento de Aids, e o tenofovir têm atividade contra o HBV e podem ser utilizadas para combater a Hepatite B. O governo federal conta hoje com um Programa de Medicação Excepcional que abrange mais de 100 itens, tratando de 50 patologias, inclusive as hepatites virais. A princípio o programa abrangia cerca de 5 mil pacientes portadores de doenças retrovirais em Goiás. Contudo, bons resultados foram aparecendo e o governo decidiu expandi-lo para o tratamento de epidemias, abrangendo hoje cerca de 28 mil pessoas. Dentro dessa política de inclusão social, medicamentos como o interferon e a lamivudina (medicamento fabricado pela Iquego, vendido a 2 reais 16 centavos) são comprados pelos Estados, que são ressarcidos pelo ministério em 50 por cento da contrapartida. “O panorama que notificamos é que todos os Estados da federação estão sobrecarregados com o custeio da metade do valor dos remédios”, diz o farmacêutico/bioquímico e diretor do Centro de Medicamento de Alto Custo (Cemac/Juarez Barbosa), Walmar Ribas Júnior. Em Goiás, o Centro de Medicamento de Alto Custo (Cemac) é um dos órgão do governo do Estado responsáveis pela distribuição de anti-retrovirais. Existem cadastrados hoje no Cemac da capital cerca de 120 pacientes que utilizam os remédios destinados ao combate dessa doença viral. No caso da Hepatite B, o paciente dentro da unidade é atendido em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. “Quando o paciente é encaminhado ao Centro por um infectologista e/ou hepatologista para o uso de medicamentos ao tratamento da Hepatite B, o Cemac avalia internamente a procedência do caso. Se tudo estiver de acordo com o protocolo normatizado pelo Ministério da Saúde, o paciente é cadastrado e recebe mensalmente sua medicação. Estamos acirrando a política de descentralização da saúde em Goiás. Abriremos um novo Cemac em Anápolis ainda este mês. A intenção, até o final do ano, é que as grandes cidades de regiões distintas do Estado, como Rio Verde e Itumbiara, tenham essa unidade de saúde”, informa o diretor. Prevenção — A vacina contra a Hepatite B faz parte do calendário oficial de vacinação preconizado pelo Ministério da Saúde e protege o indivíduo por toda a vida, informa a responsável pelo Programa Nacional de Hepatite B, Jeruza Maria Figueiredo. A primeira das três doses é aplicada logo após o nascimento e as demais após alguns meses de intervalo. Como a vacina passou a fazer parte do calendário recentemente, muitos adultos não foram vacinados e devem procurar um posto de saúde para recebê-la. “A imunização da fase adulta é necessária. Por meio disso, as pessoas criam anticorpos para defender o organismo contra o vírus da Hepatite B. Além disso, essa vacina é oferecida gratuitamente na rede pública de saúde”, diz o diretor do Cemac, Walmar Ribas Júnior. A prevenção ainda é a melhor medida para se imunizar da doença, completa Walmar. Uso de preservativos, número seleto de parceiros, não compartilhamento de agulhas são algumas das maneiras de se evitar o contágio da Hepatite B. “Mesmo com todas essas medidas de imunização e prevenção o número de casos no país não pára de crescer. As pessoas necessitam de informações sobre o que é e como é a doença”, diz. A mais conhecida e comum das hepatites é a do tipo A. Transmitida por água e alimentos contaminados, ou de uma pessoa para outra, a doença fica incubada entre dez e 50 dias. Esta infecção normalmente não causa sintomas, porém, quando presentes, os mais comuns são febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômitos, mal-estar, desconforto abdominal, falta de apetite, urina escurecida e fezes esbranquiçadas. A detecção se faz por exame de sangue e não há tratamento específico, esperando-se o paciente reagir sozinho contra a doença — a letalidade não ultrapassa 0,1 por cento. “Existe vacina contra o vírus da hepatite A (HAV), mas a melhor maneira de evitá-la se dá pelo saneamento básico, tratamento adequado da água, alimentos bem cozidos e pelo ato de lavar sempre as mãos antes das refeições”, aconselha o diretor do Cemac. Os vírus da Hepatite tipo B (HBV) e C (HCV) são transmitidos sobretudo por meio do sangue. Usuários de drogas injetáveis e pacientes submetidos a material cirúrgico contaminado e não-descartável estão entre as maiores vítimas, daí o cuidado que se deve ter nas transfusões sangüíneas, no dentista, em sessões de depilação ou tatuagem. 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Enviado por Jorge Alves Forum Nacional de Hepatites
3.4.07
Sistema Alternativo de Atendimento à Saúde
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O usuário paga os serviços médicos utilizados, com base na tabela da Associação Médica Brasileira (AMB), os preços desta tabela são até 80% inferiores ao preço normal cobrado do particular.
O interessado em adquirir o Cartão ABMED pagará uma pequena taxa anual e receberá um Cartão de identificação com validade para 12 meses e um guia de serviços médicos contendo a relação da rede credenciada: Hospitais, Prontos-Socorros, Clínicas especializadas, Consultórios Médicos e Laboratórios especializados com seus respectivos endereços e telefones, bem como orienta sobre a sua utilização.
Este sistema não é plano de saúde, é uma alternativa de atendimento à saúde para as pessoas que não possam ou não queiram pagar mensalmente valores altíssimos nos tradicionais planos de saúde e que também não desejam ficar a mercê do Sistema Público de Saúde.
A ABMED Convênio Médico-Hospitalar não foi classificada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar como operadora de plano de saúde, o que a desobriga a cumprir as exigências contidas na Lei 9656/98 e legislações pertinentes.
Para conhecer todos os benefícios e vantagens do sistema, visite todas as páginas do nosso site e confira a grande economia que a ABMED oferece aos seus usuários.
Enviado por Jorge Alves - Forum Nacional de Hepatites
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Enviado por Jorge Alves - Forum Nacional de Hepatites
15.1.07
Entendendo os diversos tipos de hepatite

Entendendo os diversos tipos de hepatite (I)
Hepatite é um termo genérico que significa inflamação no fígado, podendo ter várias causas. As hepatites virais podem ser provocadas por vírus que atingem especificamente o fígado, como os vírus A, B, C, D ou Delta, E, F e G. Há também viroses como a mononucleose, varicela, herpes, citomegalovírus, dengue (entre outras) capazes de provocar hepatite, fazendo parte de outro processo.
A hepatite A é uma doença aguda, transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados (oral-fecal). Geralmente manifesta-se por icterícia (pele e mucosas amareladas), urina escura, febre, dores no corpo. Raramente é grave e o tratamento é sintomático. Para prevenção, além dos cuidados com a higiene da água e alimentos, existe a vacinação.
A transmissão da hepatite B ocorre através do contato direto com sangue contaminado (transfusões, compartilhamento de seringas ou outros instrumentos entre usuários de drogas). Ocorre por via sexual (sêmen) e por outras secreções orgânicas. Há transmissão vertical (da mãe infectada para o recém-nascido). Pode tornar-se crônica, e evoluir para cirrose e câncer de fígado. Para prevenção, evitar o contato direto com sangue, ter relações sexuais com preservativo e vacinar-se.
A hepatite C é transmitida pelo sangue contaminado, ou seja, através de transfusões, piercings, compartilhamento de seringas e de canudinhos de aspiração de cocaína por usuários de drogas, de aparelhos de barbear, de escova de dentes; procedimentos com instrumentos contaminados (cirurgias, tratamentos dentários, acupuntura, tatuagens, manicure). Há transmissão perinatal e a transmissão sexual é controversa. Na maioria dos infectados, torna-se crônica, podendo evoluir para a cirrose e o câncer de fígado. A prevenção é evitar contato direto com sangue. Infelizmente não há ainda vacinação contra a hepatite C.
É importante saber que, desde 1990, os bancos de sangue passaram a testar os pré-doadores de sangue, e também que as hepatites B e C podem transcorrer sem sintomas. Assim, os transfundidos antes de 1990 ou com algum contato ou comportamento de risco, devem, mesmo assintomáticos, realizar testagem no sangue para saber se foram contaminados e, caso sejam portadores de hepatite B e/ou C, estadiar a doença para saber se devem ser tratados.
Entendendo os diversos tipos de hepatite II
As hepatites virais, abordadas na coluna anterior, têm grande importância, sobretudo as formas crônicas, pois a cirrose hepática pelo vírus da hepatite C é, atualmente, a principal causa de transplante de fígado em adultos, sendo o vírus B também causador de cirrose e câncer de fígado (hepatocarcinoma). Há várias outras causas de inflamação hepática (hepatite) não relacionadas aos vírus.
A doença hepática alcoólica é provocada pelo consumo excessivo do etanol. Seus efeitos tóxicos dependem da quantidade e tempo de ingestão. Pode ocorrer hepatite aguda, hepatite crônica, cirrose hepática. A esteatose (depósito de gordura nas células hepáticas) e a esteatohepatite fazem parte do espectro da doença hepática provocada pelo álcool. A cirrose alcoólica também pode evoluir para o câncer de fígado.
A doença hepática gordurosa não alcoólica tem causas metabólicas e engloba a esteatose (não alcoólica), a esteatohepatite, que pode também progredir para a cirrose hepática.A hepatite medicamentosa ou tóxica deve-se a agentes agressores (alguns medicamentos, substâncias tóxicas, drogas ilícitas e até ervas medicinais). Compreende desde mínimas alterações nas enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT, FA), até insuficiência ou falência hepática aguda, que pode necessitar de transplante hepático. Embora a hepatite tóxica se deva às vezes a reações alérgicas individuais, indivíduos com alguma condição hepática anormal devem ser avaliados antes de usarem certos medicamentos.
A hepatite auto-imune é uma inflamação de causa incerta (presume-se que a causa seja auto-imune), tem várias manifestações, acomete mais as mulheres e freqüentemente se torna crônica. Às vezes, é de difícil diagnóstico e associa-se a outras condições que alteram a imunidade.
Observa-se, pois, a complexidade do termo hepatite. Em muitas dessas condições não há aqueles sintomas classicamente associados a hepatite (icterícia, urina escura, etc), necessitando de avaliações clínico-laboratoriais mais apuradas ou até mesmo de biópsia hepática para o diagnóstico e tratamento corretos, seja com o objetivo de cura, ou de impedir a progressão para formas mais graves.
As hepatites virais, abordadas na coluna anterior, têm grande importância, sobretudo as formas crônicas, pois a cirrose hepática pelo vírus da hepatite C é, atualmente, a principal causa de transplante de fígado em adultos, sendo o vírus B também causador de cirrose e câncer de fígado (hepatocarcinoma). Há várias outras causas de inflamação hepática (hepatite) não relacionadas aos vírus.
A doença hepática alcoólica é provocada pelo consumo excessivo do etanol. Seus efeitos tóxicos dependem da quantidade e tempo de ingestão. Pode ocorrer hepatite aguda, hepatite crônica, cirrose hepática. A esteatose (depósito de gordura nas células hepáticas) e a esteatohepatite fazem parte do espectro da doença hepática provocada pelo álcool. A cirrose alcoólica também pode evoluir para o câncer de fígado.
A doença hepática gordurosa não alcoólica tem causas metabólicas e engloba a esteatose (não alcoólica), a esteatohepatite, que pode também progredir para a cirrose hepática.A hepatite medicamentosa ou tóxica deve-se a agentes agressores (alguns medicamentos, substâncias tóxicas, drogas ilícitas e até ervas medicinais). Compreende desde mínimas alterações nas enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT, FA), até insuficiência ou falência hepática aguda, que pode necessitar de transplante hepático. Embora a hepatite tóxica se deva às vezes a reações alérgicas individuais, indivíduos com alguma condição hepática anormal devem ser avaliados antes de usarem certos medicamentos.
A hepatite auto-imune é uma inflamação de causa incerta (presume-se que a causa seja auto-imune), tem várias manifestações, acomete mais as mulheres e freqüentemente se torna crônica. Às vezes, é de difícil diagnóstico e associa-se a outras condições que alteram a imunidade.
Observa-se, pois, a complexidade do termo hepatite. Em muitas dessas condições não há aqueles sintomas classicamente associados a hepatite (icterícia, urina escura, etc), necessitando de avaliações clínico-laboratoriais mais apuradas ou até mesmo de biópsia hepática para o diagnóstico e tratamento corretos, seja com o objetivo de cura, ou de impedir a progressão para formas mais graves.
Dra. Maria de Fátima Duques de Amorim CRM 2638
Os perigos da tatuagem
Jornal O Norte 14/01/2007
Pela proposta da Anvisa que está sendo colocada em consulta pública, tintas e equipamentos vão precisar de registro como produtos de saúde
As tatuagens nunca saem da moda e sempre conquistam novos adeptos, com seus traços e cores, símbolos de rebeldia, contestação e sensualidade ou, simplesmente, como um adereço para a pele. Para garantir as condições de higiene, a saúde e a segurança de quem está disposto a fazer tatuagens ou maquiagens definitivas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em consulta pública uma proposta para regular a fabricação, comercialização e importação dos produtos utilizados nestas técnicas. Pela proposta, tintas e equipamentos para tatuagens e maquiagens permanentes deverão ter registro na Anvisa.
A proposta permanecerá em consulta pública até o dia 20 de dezembro. Acessando o site da agência (www.anvisa.gov.br), profissionais de saúde, autoridades, tatuadores, maquiadores e a sociedade em geral poderão opinar sobre o texto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária espera que as novas regras entrem em vigor até a primeira metade de 2007. A partir daí, fabricantes e importadores terão 180 dias para se adaptarem às mudanças, que virão para complementar e auxiliar o trabalho de fiscalização já desenvolvido pelas vigilâncias estaduais.
E MAIS
Com o registro do material usado em salões de tatuagens e maquiagens como produtos de saúde, a Anvisa espera aumentar a qualidade desses produtos, o que trará conseqüências positivas para os serviços. Segundo o gerente de Tecnologia de Materiais de Uso em Saúde da Anvisa, Walfredo Calmon, a partir do registro na agência será possível criar um banco de dados sobre os produtos usados nos estúdios, as substâncias utilizadas na fabricação dos pigmentos e quem são seus fabricantes. Com informações mais precisas sobre a fabricação e todas as substâncias contidas nas tintas, o nível do serviço prestado à população deve melhorar, não apenas no que diz respeito à segurança, mas também sobre a eficácia do material, afirma Walfredo Calmon. Pela proposta, as embalagens das tintas deverão não só dizer quais as substâncias contidas, mas, também, o prazo de validade e de uso após a abertura.
Condição inadequada para a conservação
A falta de condições adequadas de higiene e conservação de equipamentos nestes estúdios pode representar riscos para a saúde dos clientes. Um deles, por exemplo, é o de disseminação de vírus e até contaminação por doenças como aids e hepatites, transmissíveis por agulhas contaminadas. A presença de determinados materiais nas tintas, como o chumbo e alguns tipos de solventes, também oferece riscos, como a possibilidade de surgimento de tumores cancerígenos e de alergias. Queremos impedir que materiais altamente tóxicos e capazes de prejudicar a saúde dos clientes desses estúdios sejam utilizados pelos fabricantes, diz o gerente.
Um dos objetivos de propor novas regras para funcionamento dos estúdios de tatuagem e maquiagem em consulta pública é ouvir sugestões dos profissionais da área para melhorar a qualidade e a segurança dos processos. Para o tatuador Rogelio Santiago Paz Netto, de 45 anos, as novas regras podem contribuir para aumentar a segurança dos clientes e diminuir o preconceito que existe em relação à sua profissão, ainda não regulamentada. Todo tatuador deve ter a consciência de que não é apenas um artista; deve ser também um profissional ligado à saúde, afirma.
Estado e municípios vão fazer fiscalização
A função de fiscalizar os serviços oferecidos por estúdios de tatuagens e maquiagens é dos órgãos de vigilância sanitária estaduais e municipais. Os estabelecimentos que não se enquadram nas regras são multados e perdem o alvará de funcionamento. A primeira medida recomendada aos interessados em fazer tatuagem e maquiagem definitiva é procurar saber se o estabelecimento possui alvará e se está registrado junto à Anvisa, aconselha Maria das Graças.
Quem pretende fazer uma tatuagem precisa verificar principalmente as condições de higiene do estúdio. O ambiente tem de ser limpo, bem ventilado e livre de contaminações externas. É imprescindível que o profissional use luvas descartáveis, óculos ou máscaras de proteção. As agulhas também devem ser descartáveis para evitar o contágio de doenças como a aids e as hepatites. O ideal é que o tatuador abra a embalagem das agulhas na frente do cliente, para mostrar que o material está em ordem, afirma a gerente de Fiscalização da Vigilância Sanitária.
Regras para quem faz maquiagem
Para as pessoas que querem fazer maquiagem definitiva, as regras são semelhantes. No entanto, é importante verificar se o profissional possui um certificado que comprove sua qualificação técnica. Também se recomenda verificar se são de cores claras as roupas do profissional, por questões de higiene, e as condições do local onde será feita a maquiagem.
Os órgãos de vigilância sanitária desaconselham as pessoas a fazerem tatuagens com ambulantes, nas ruas, o que é muito comum nas grandes cidades brasileiras. Nas ruas, não há segurança para atestar a qualidade do material usado, as condições de saúde e higiene para esta prática não são as ideais e, caso haja algum problema, será mais difícil identificar e responsabilizar o tatuador. Esses órgãos também alertam que menores de idade só podem fazer tatuagens se estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis.
SERVIÇO
O texto das novas regras foi publicado no site da Anvisa para ser consultado por profissionais da área e toda a sociedade interessada.
Todos podem enviar sugestões para o site www.anvisa.gov.br até o dia 20 de dezembro ou para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, SEPN 515, Bloco B, Ed. Ômega, Asa Norte, CEP 70.770-502 Brasília 150 DF. Também podem ser enviadas pelo fax (061) 3448-1058 ou por e-mail para tecnologia.produtos@anvisa.gov.br.
Pela proposta da Anvisa que está sendo colocada em consulta pública, tintas e equipamentos vão precisar de registro como produtos de saúde
As tatuagens nunca saem da moda e sempre conquistam novos adeptos, com seus traços e cores, símbolos de rebeldia, contestação e sensualidade ou, simplesmente, como um adereço para a pele. Para garantir as condições de higiene, a saúde e a segurança de quem está disposto a fazer tatuagens ou maquiagens definitivas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em consulta pública uma proposta para regular a fabricação, comercialização e importação dos produtos utilizados nestas técnicas. Pela proposta, tintas e equipamentos para tatuagens e maquiagens permanentes deverão ter registro na Anvisa.
A proposta permanecerá em consulta pública até o dia 20 de dezembro. Acessando o site da agência (www.anvisa.gov.br), profissionais de saúde, autoridades, tatuadores, maquiadores e a sociedade em geral poderão opinar sobre o texto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária espera que as novas regras entrem em vigor até a primeira metade de 2007. A partir daí, fabricantes e importadores terão 180 dias para se adaptarem às mudanças, que virão para complementar e auxiliar o trabalho de fiscalização já desenvolvido pelas vigilâncias estaduais.
E MAIS
Com o registro do material usado em salões de tatuagens e maquiagens como produtos de saúde, a Anvisa espera aumentar a qualidade desses produtos, o que trará conseqüências positivas para os serviços. Segundo o gerente de Tecnologia de Materiais de Uso em Saúde da Anvisa, Walfredo Calmon, a partir do registro na agência será possível criar um banco de dados sobre os produtos usados nos estúdios, as substâncias utilizadas na fabricação dos pigmentos e quem são seus fabricantes. Com informações mais precisas sobre a fabricação e todas as substâncias contidas nas tintas, o nível do serviço prestado à população deve melhorar, não apenas no que diz respeito à segurança, mas também sobre a eficácia do material, afirma Walfredo Calmon. Pela proposta, as embalagens das tintas deverão não só dizer quais as substâncias contidas, mas, também, o prazo de validade e de uso após a abertura.
Condição inadequada para a conservação
A falta de condições adequadas de higiene e conservação de equipamentos nestes estúdios pode representar riscos para a saúde dos clientes. Um deles, por exemplo, é o de disseminação de vírus e até contaminação por doenças como aids e hepatites, transmissíveis por agulhas contaminadas. A presença de determinados materiais nas tintas, como o chumbo e alguns tipos de solventes, também oferece riscos, como a possibilidade de surgimento de tumores cancerígenos e de alergias. Queremos impedir que materiais altamente tóxicos e capazes de prejudicar a saúde dos clientes desses estúdios sejam utilizados pelos fabricantes, diz o gerente.
Um dos objetivos de propor novas regras para funcionamento dos estúdios de tatuagem e maquiagem em consulta pública é ouvir sugestões dos profissionais da área para melhorar a qualidade e a segurança dos processos. Para o tatuador Rogelio Santiago Paz Netto, de 45 anos, as novas regras podem contribuir para aumentar a segurança dos clientes e diminuir o preconceito que existe em relação à sua profissão, ainda não regulamentada. Todo tatuador deve ter a consciência de que não é apenas um artista; deve ser também um profissional ligado à saúde, afirma.
Estado e municípios vão fazer fiscalização
A função de fiscalizar os serviços oferecidos por estúdios de tatuagens e maquiagens é dos órgãos de vigilância sanitária estaduais e municipais. Os estabelecimentos que não se enquadram nas regras são multados e perdem o alvará de funcionamento. A primeira medida recomendada aos interessados em fazer tatuagem e maquiagem definitiva é procurar saber se o estabelecimento possui alvará e se está registrado junto à Anvisa, aconselha Maria das Graças.
Quem pretende fazer uma tatuagem precisa verificar principalmente as condições de higiene do estúdio. O ambiente tem de ser limpo, bem ventilado e livre de contaminações externas. É imprescindível que o profissional use luvas descartáveis, óculos ou máscaras de proteção. As agulhas também devem ser descartáveis para evitar o contágio de doenças como a aids e as hepatites. O ideal é que o tatuador abra a embalagem das agulhas na frente do cliente, para mostrar que o material está em ordem, afirma a gerente de Fiscalização da Vigilância Sanitária.
Regras para quem faz maquiagem
Para as pessoas que querem fazer maquiagem definitiva, as regras são semelhantes. No entanto, é importante verificar se o profissional possui um certificado que comprove sua qualificação técnica. Também se recomenda verificar se são de cores claras as roupas do profissional, por questões de higiene, e as condições do local onde será feita a maquiagem.
Os órgãos de vigilância sanitária desaconselham as pessoas a fazerem tatuagens com ambulantes, nas ruas, o que é muito comum nas grandes cidades brasileiras. Nas ruas, não há segurança para atestar a qualidade do material usado, as condições de saúde e higiene para esta prática não são as ideais e, caso haja algum problema, será mais difícil identificar e responsabilizar o tatuador. Esses órgãos também alertam que menores de idade só podem fazer tatuagens se estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis.
SERVIÇO
O texto das novas regras foi publicado no site da Anvisa para ser consultado por profissionais da área e toda a sociedade interessada.
Todos podem enviar sugestões para o site www.anvisa.gov.br até o dia 20 de dezembro ou para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, SEPN 515, Bloco B, Ed. Ômega, Asa Norte, CEP 70.770-502 Brasília 150 DF. Também podem ser enviadas pelo fax (061) 3448-1058 ou por e-mail para tecnologia.produtos@anvisa.gov.br.
26.11.06
GENI E A ÉTICA Por Beto Volpe
Joãozinho chega da escola, confuso:
- Pai, hoje a professora deu uma aula estranha, não entendi nada. Ela falou sobre ética. O que é isso, papai?
Ao que o pai responde: - Vou te dar um exemplo: imagine uma velha senhora, bem pobrezinha, que vem à nossa loja, faz uma compra de dez reais e, por engano, paga com uma nota de cinqüenta. Aí entra a ética, o papai conta pro sócio.
Nunca se falou tanto em ética em nosso país. É a Geni do momento: todos a desejam, todos a possuem. E em um momento eleitoral a classe política transforma essa veneração pela ética em uma espécie de epidemia. E não é somente a classe política, o discurso ético está presente também nos gestores públicos em saúde, nos laboratórios farmacêuticos, nos médicos e profissionais da área da saúde e do próprio movimento social. É a ética na saúde pública.
O problema é que esse conceito muitas vezes se restringe a essa área mesmo, a conceitual. Os interesses político-partidários fazem com que de dois em dois anos vivamos um festival de desastrosas indicações para cargos estratégicos dentro do SUS. Gestores públicos vivem às voltas com escândalos envolvendo aplicação de verbas em metas muitas vezes questionáveis através de processos e licitações muitas vezes suspeitas. Laboratórios farmacêuticos, especialmente os detentores de patentes, se opõem a uma visão de saúde pública mais equilibrada entre a questão humanitária e o lucro exigido pelos seus acionistas. Médicos e profissionais da área da saúde por vezes esquecem dos juramentos feitos em suas formaturas e tratam os clientes do SUS (também chamados de pacientes) de forma desrespeitosa e por vezes desumana, trazendo para sua prática o conceito "aidético", onde a enfermidade se sobrepõe ao ser humano. E um movimento social que por vezes parece que esqueceu que, se temos um dos melhores programas de AIDS do mundo (alguns crêem que seja o melhor), esse foi conquistado pela força do ativismo. A chave para o sucesso do Programa Nacional de DST/AIDS é e sempre foi a participação cidadã, é o controle social exercido pelas pessoas vivendo com HIV e pelas ONGs que faz com que se implante, mantenha e avance em políticas públicas modernas e eficientes. E a ética também está no lema do VI Congresso da Sociedade Brasileira de DST e II Congresso Brasileiro de AIDS, ocorrido em Santos de 17 a 20 últimos: "DST/AIDS no SUS: Compromisso e Interfaces". A escolha do tema não poderia ter sido mais feliz, ainda mais quando temos para um futuro imediato a implantação do Pacto pela Saúde, que irá redimensionar as interfaces dentro do SUS e que necessitará, mais do que nunca, de comprometimento para que esse processo tenha êxito. Inclusive e principalmente do controle social, onde a força do ativismo seja a prioridade e não a mera execução de projetos e prestação de serviços para os gestores como tem se verificado como tendência, confundindo a atribuição de papéis de cada um dentro da resposta brasileira. Vivemos cada qual em seu pequeno espaço dentro do amplo universo chamado AIDS no SUS e por vezes nos passam desapercebidos problemas específicos enfrentados pelos vários setores dessa estratégia. E os problemas são muitos, porém o principal deles é o conceito de que a AIDS tornou-se uma doença crônica, sob controle. Por conta disso temos uma queda significativa nas ações de prevenção por parte dos gestores municipais, onde a dificuldade encontrada para a contratação de agentes é a desculpa usual para a não execução de metas e acúmulo de verbas de incentivos sem resultados alcançados. Retrocesso que também assola a vida das pessoas vivendo com HIV, com a revogação ou criação de entraves para a plena garantia de direitos como de benefícios sociais e previdenciários, estes de forma sistemática e programada. O conceito de grupo de risco é novamente reforçado com a manutenção das restrições de doação de sangue pelos gays e outros HSH. Quem esteve a par da Conferência da Sociedade Internacional de AIDS ocorrida ano passado no Rio de Janeiro ainda lembra que foi unânime a opinião de que sem transferência de tecnologia e produção local de medicamentos não será possível suprir a demanda mundial e equilibrar as relações entre capital e humanidade na prática de mercado e preços internacionais.. Vemos no Brasil nossas mulheres e nossos adolescentes cada vez mais vulneráveis à infecção, lembrando o quadro sombrio pintado na mesma Conferência onde foi relatado que em algumas regiões da África a população é exclusivamente masculina pois todas as mulheres haviam morrido e órfãos cantam em suas cantigas de roda o momento em que levaram os caixões dos pais para serem sepultados. E recentemente na Conferência de Toronto, foi reafirmada a existência de uma "super-infecção" em curso no mundo e que a mesma já estaria no Brasil, com prevalência de até 80% de vírus recombinantes em alguns serviços de saúde, sem que ainda se saiba ao certo que impacto trará para a assistência e para a expectativa de vida das pessoas afetadas. No início da epidemia costumava-se ironizar dizendo, "ai que saudades da sífilis e da gonorréia". Hoje, a ironia é "ai, que saudades do vômito e da diarréia". Os efeitos colaterais têm se transformado em um pesadelo tanto para as pessoas vivendo com HIV como para os profissionais envolvidos em seu manejo. Em 1998 surgiu a lipodistrofia, para a qual a ciência deu sua pronta resposta com técnicas e alternativas para minimizar seu impacto, porém a resposta pública veio oficialmente apenas em 2004 com a publicação de portaria contendo uma série de procedimentos. E hoje, em 2006, ainda são muitas as dificuldades enfrentadas pelas pessoas vivendo com HIV em ter atendido apenas um de seus itens, o preenchimento facial. Casos de osteonecrose que estão sendo tratados à base de diclofenaco, afinal, são mais muito baratos do que próteses. Assistimos a uma verdadeira epidemia paralela de linfomas ocorrendo em perfis diversos dos usuais, retardando seu diagnóstico e colocando em sério risco a manutenção da vida, quanto mais a qualidade da mesma. Sem falar nos riscos cardiovasculares e nos efeitos neurológicos que vêm avançando em gravidade e fazem com que fique difícil engolir, de novo. Estamos atravessando uma fase muito delicada da história da humanidade. As alterações climáticas que faziam parte de nosso imaginário e dos filmes de ficção científica, hoje são uma realidade e ainda não se sabe qual o impacto nos seres vivos de nosso planeta. Sabe-se, no entanto, que gerarão queda na produção de alimentos e bens, aumento da fome e das desigualdades sociais, recrudescimento de conflitos e guerras, tudo isso desaguando nos sistemas de saúde. A simultaneidade de epidemias como AIDS, tuberculose, hepatite C e aviária, esta já podendo ser avistada no horizonte nos fazem crer que os desafios irão aumentar, e muito. Portanto, como diz o lema do Vivendo deste ano, promovido pelos Pela Vidda do Rio e Niterói: CHEGA DE LERO-LERO! Há que se fazer um Pacto pela Ética, onde esta seja representada pelos compromissos e interfaces de cada integrante desse sistema. Há que se ter um comprometimento maior com a ampliação de ações e estratégias, e não apenas a manutenção do que já foi conquistado. Que se ter agilidade nos processos de incorporação de novas estratégias de enfrentamento à epidemia. Que se fortaleça as interfaces com demais setores sociais e governamentais no enfrentamento à epidemia, fazendo com que a indústria, o comércio e os demais órgãos governamentais se aliem a esta luta de forma afirmativa, com incremento da responsabilidade e dotações orçamentárias garantindo esse incremento de ações na luta contra a AIDS. Que o conceito de ética seja transformado em realidade nas menores ações de todos nós nesse enfrentamento. E que Geni volte a ser apenas a musa maldita que sempre foi e não mais o sinônimo de ética na saúde pública. A VOZ DAS PESSOAS VIVENDO COM HIV DEVE SER OUVIDA COM MAIOR COMPROMETIMENTO, TANTO DENTRO DOS CONSULTÓRIOS COMO EM TODAS AS INTERFACES PROVOCADAS PELA EPIDEMIA, QUE SE REINVENTA A CADA INSTANTE E PARA QUE SE TENHA UMA RESPOSTA RÁPIDA E EFICIENTE A NOSSA PERCEPÇÃO DOS NOVOS DESAFIOS DEVE SE ANTEPOR À EPIDEMIOLOGIA. Tudo o que permeia o universo das verdades transitórias chamado AIDS tem como origem um vírus cuja principal característica é a capacidade de rever estratégias de forma imediata e atacar de forma cada vez mais insidiosa e desafiadora. Se nós, todos nós, não tivermos essa mesma capacidade, ele ganha a luta.
Beto Volpe é presidente do Grupo Hipupiara e Ponto Focal Brasil da Rede Latino-americana de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS
Texto encaminhado pelo Forum Nacional de Hepatites
- Pai, hoje a professora deu uma aula estranha, não entendi nada. Ela falou sobre ética. O que é isso, papai?
Ao que o pai responde: - Vou te dar um exemplo: imagine uma velha senhora, bem pobrezinha, que vem à nossa loja, faz uma compra de dez reais e, por engano, paga com uma nota de cinqüenta. Aí entra a ética, o papai conta pro sócio.
Nunca se falou tanto em ética em nosso país. É a Geni do momento: todos a desejam, todos a possuem. E em um momento eleitoral a classe política transforma essa veneração pela ética em uma espécie de epidemia. E não é somente a classe política, o discurso ético está presente também nos gestores públicos em saúde, nos laboratórios farmacêuticos, nos médicos e profissionais da área da saúde e do próprio movimento social. É a ética na saúde pública.
O problema é que esse conceito muitas vezes se restringe a essa área mesmo, a conceitual. Os interesses político-partidários fazem com que de dois em dois anos vivamos um festival de desastrosas indicações para cargos estratégicos dentro do SUS. Gestores públicos vivem às voltas com escândalos envolvendo aplicação de verbas em metas muitas vezes questionáveis através de processos e licitações muitas vezes suspeitas. Laboratórios farmacêuticos, especialmente os detentores de patentes, se opõem a uma visão de saúde pública mais equilibrada entre a questão humanitária e o lucro exigido pelos seus acionistas. Médicos e profissionais da área da saúde por vezes esquecem dos juramentos feitos em suas formaturas e tratam os clientes do SUS (também chamados de pacientes) de forma desrespeitosa e por vezes desumana, trazendo para sua prática o conceito "aidético", onde a enfermidade se sobrepõe ao ser humano. E um movimento social que por vezes parece que esqueceu que, se temos um dos melhores programas de AIDS do mundo (alguns crêem que seja o melhor), esse foi conquistado pela força do ativismo. A chave para o sucesso do Programa Nacional de DST/AIDS é e sempre foi a participação cidadã, é o controle social exercido pelas pessoas vivendo com HIV e pelas ONGs que faz com que se implante, mantenha e avance em políticas públicas modernas e eficientes. E a ética também está no lema do VI Congresso da Sociedade Brasileira de DST e II Congresso Brasileiro de AIDS, ocorrido em Santos de 17 a 20 últimos: "DST/AIDS no SUS: Compromisso e Interfaces". A escolha do tema não poderia ter sido mais feliz, ainda mais quando temos para um futuro imediato a implantação do Pacto pela Saúde, que irá redimensionar as interfaces dentro do SUS e que necessitará, mais do que nunca, de comprometimento para que esse processo tenha êxito. Inclusive e principalmente do controle social, onde a força do ativismo seja a prioridade e não a mera execução de projetos e prestação de serviços para os gestores como tem se verificado como tendência, confundindo a atribuição de papéis de cada um dentro da resposta brasileira. Vivemos cada qual em seu pequeno espaço dentro do amplo universo chamado AIDS no SUS e por vezes nos passam desapercebidos problemas específicos enfrentados pelos vários setores dessa estratégia. E os problemas são muitos, porém o principal deles é o conceito de que a AIDS tornou-se uma doença crônica, sob controle. Por conta disso temos uma queda significativa nas ações de prevenção por parte dos gestores municipais, onde a dificuldade encontrada para a contratação de agentes é a desculpa usual para a não execução de metas e acúmulo de verbas de incentivos sem resultados alcançados. Retrocesso que também assola a vida das pessoas vivendo com HIV, com a revogação ou criação de entraves para a plena garantia de direitos como de benefícios sociais e previdenciários, estes de forma sistemática e programada. O conceito de grupo de risco é novamente reforçado com a manutenção das restrições de doação de sangue pelos gays e outros HSH. Quem esteve a par da Conferência da Sociedade Internacional de AIDS ocorrida ano passado no Rio de Janeiro ainda lembra que foi unânime a opinião de que sem transferência de tecnologia e produção local de medicamentos não será possível suprir a demanda mundial e equilibrar as relações entre capital e humanidade na prática de mercado e preços internacionais.. Vemos no Brasil nossas mulheres e nossos adolescentes cada vez mais vulneráveis à infecção, lembrando o quadro sombrio pintado na mesma Conferência onde foi relatado que em algumas regiões da África a população é exclusivamente masculina pois todas as mulheres haviam morrido e órfãos cantam em suas cantigas de roda o momento em que levaram os caixões dos pais para serem sepultados. E recentemente na Conferência de Toronto, foi reafirmada a existência de uma "super-infecção" em curso no mundo e que a mesma já estaria no Brasil, com prevalência de até 80% de vírus recombinantes em alguns serviços de saúde, sem que ainda se saiba ao certo que impacto trará para a assistência e para a expectativa de vida das pessoas afetadas. No início da epidemia costumava-se ironizar dizendo, "ai que saudades da sífilis e da gonorréia". Hoje, a ironia é "ai, que saudades do vômito e da diarréia". Os efeitos colaterais têm se transformado em um pesadelo tanto para as pessoas vivendo com HIV como para os profissionais envolvidos em seu manejo. Em 1998 surgiu a lipodistrofia, para a qual a ciência deu sua pronta resposta com técnicas e alternativas para minimizar seu impacto, porém a resposta pública veio oficialmente apenas em 2004 com a publicação de portaria contendo uma série de procedimentos. E hoje, em 2006, ainda são muitas as dificuldades enfrentadas pelas pessoas vivendo com HIV em ter atendido apenas um de seus itens, o preenchimento facial. Casos de osteonecrose que estão sendo tratados à base de diclofenaco, afinal, são mais muito baratos do que próteses. Assistimos a uma verdadeira epidemia paralela de linfomas ocorrendo em perfis diversos dos usuais, retardando seu diagnóstico e colocando em sério risco a manutenção da vida, quanto mais a qualidade da mesma. Sem falar nos riscos cardiovasculares e nos efeitos neurológicos que vêm avançando em gravidade e fazem com que fique difícil engolir, de novo. Estamos atravessando uma fase muito delicada da história da humanidade. As alterações climáticas que faziam parte de nosso imaginário e dos filmes de ficção científica, hoje são uma realidade e ainda não se sabe qual o impacto nos seres vivos de nosso planeta. Sabe-se, no entanto, que gerarão queda na produção de alimentos e bens, aumento da fome e das desigualdades sociais, recrudescimento de conflitos e guerras, tudo isso desaguando nos sistemas de saúde. A simultaneidade de epidemias como AIDS, tuberculose, hepatite C e aviária, esta já podendo ser avistada no horizonte nos fazem crer que os desafios irão aumentar, e muito. Portanto, como diz o lema do Vivendo deste ano, promovido pelos Pela Vidda do Rio e Niterói: CHEGA DE LERO-LERO! Há que se fazer um Pacto pela Ética, onde esta seja representada pelos compromissos e interfaces de cada integrante desse sistema. Há que se ter um comprometimento maior com a ampliação de ações e estratégias, e não apenas a manutenção do que já foi conquistado. Que se ter agilidade nos processos de incorporação de novas estratégias de enfrentamento à epidemia. Que se fortaleça as interfaces com demais setores sociais e governamentais no enfrentamento à epidemia, fazendo com que a indústria, o comércio e os demais órgãos governamentais se aliem a esta luta de forma afirmativa, com incremento da responsabilidade e dotações orçamentárias garantindo esse incremento de ações na luta contra a AIDS. Que o conceito de ética seja transformado em realidade nas menores ações de todos nós nesse enfrentamento. E que Geni volte a ser apenas a musa maldita que sempre foi e não mais o sinônimo de ética na saúde pública. A VOZ DAS PESSOAS VIVENDO COM HIV DEVE SER OUVIDA COM MAIOR COMPROMETIMENTO, TANTO DENTRO DOS CONSULTÓRIOS COMO EM TODAS AS INTERFACES PROVOCADAS PELA EPIDEMIA, QUE SE REINVENTA A CADA INSTANTE E PARA QUE SE TENHA UMA RESPOSTA RÁPIDA E EFICIENTE A NOSSA PERCEPÇÃO DOS NOVOS DESAFIOS DEVE SE ANTEPOR À EPIDEMIOLOGIA. Tudo o que permeia o universo das verdades transitórias chamado AIDS tem como origem um vírus cuja principal característica é a capacidade de rever estratégias de forma imediata e atacar de forma cada vez mais insidiosa e desafiadora. Se nós, todos nós, não tivermos essa mesma capacidade, ele ganha a luta.
Beto Volpe é presidente do Grupo Hipupiara e Ponto Focal Brasil da Rede Latino-americana de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS
Texto encaminhado pelo Forum Nacional de Hepatites
9.11.06
Boletim Álcool e Drogas sem Distorção - 03/11/2006
13.10.06
CISA - Centro de Informações sobre Saúde e Alcool.

CLIC NO LINK ACIMA E ACESSE
O que é o CISA?
O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) é uma organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é gerar uma fonte de informações sobre o binômio saúde e álcool. O Centro dispõe de um banco de dados baseado em publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, em dados oficiais (governamentais) e na informação de qualidade publicada em jornais e revistas destinados ao público em geral.
Nós sabemos que o álcool é um fator agravante para os portadores de hepatite B e C. Para tanto é necessário estar bem informado sobre este outro inimigo para atacá-lo frente a frente. Acesse o link acima clicando no mesmo ou copie o endereço abaixo e cole na barra de endereço do seu navegador. Bom proveito!
http://www.cisa.org.br/home.php
Ministério da Saúde Lança Cartilha de Hepatites para Comunicadores
10/10/2006 – 10h20
Com o objetivo de ampliar o conhecimento das hepatites virais entre comunicadores, jornalistas, radialistas e operadores da noticia, o Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV) do Ministério da Saúde esta lançando a publicação “ A,B,C,D,E de Hepatites para Comunicadores”.A iniciativa visa multiplicar, por meio dos formadores de opinião informações sobre causas, formas de prevenção, necessidade de detecção e vacinação entre a população em geral. A publicação tem tiragem de cinco mil exemplares e esta sendo distribuída para comunicadores cadastrados e a entidades de classes como sindicatos, associações e câmaras técnicas para distribuição entre seus associados.
“A idéia de elaboração deste material surgiu num seminário ocorrido no Rio de Janeiro, no ano passado, que reuniu comunicadores de 14 estados para discutir e se informar sobre o tema”, comenta a médica Gerusa Figueiredo, coordenadora do PNHV.
Segundo ela, na ocasião, foi verificada a necessidade de se adaptar para linguagem jornalística informações sobre as hepatites virais, de forma a colaborar para a desmistificação do tema e a quebra de preconceitos. Em forma de pergunta e resposta a publicação aborda especificidades das hepatites A, B, Delta e E , dedicando-se também a informações sobre co-infecções com o HIV. O jornalista Liandro Lindner, consultor do programa se dedicou a colher as principais duvidas e necessidades dos profissionais e organizou a publicação a partir deste levantamento.
A hepatite pelo vírus B representa um dos maiores problemas de saúde pública mundial, tanto por sua magnitude quanto por estar relacionada a formas crônicas, cirrose e câncer primário do fígado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que haja na América Latina e no Caribe, aproximadamente 400.000 novas infecções pelo vírus da hepatite B a cada ano. A hepatite C é uma infecção recentemente identificada e de progressão geralmente lenta. Sua maneira de ocorrência e prevalência na população ainda não estão completamente elucidadas. O agente etiológico da infecção é o vírus da hepatite C (HCV), identificado em 1989.
De acordo com a OMS, estima-se haver 170 milhões de pessoas infectadas pelo HCV, aproximadamente 3% da população do planeta. O HCV é quase cinco vezes mais disseminado pelo mundo que o HIV e calcula-se que de três a quatro milhões de novas pessoas se infectem a cada ano. Nos EUA, a hepatite C tornou-se a principal causa de doença hepática crônica e a indicação mais comum de transplante hepático.
O material também pode ser acessado também através do site http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/hepatites_abcde.pdf.
Fonte: PNHV - Forum Nacional de Hepatites
Com o objetivo de ampliar o conhecimento das hepatites virais entre comunicadores, jornalistas, radialistas e operadores da noticia, o Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV) do Ministério da Saúde esta lançando a publicação “ A,B,C,D,E de Hepatites para Comunicadores”.A iniciativa visa multiplicar, por meio dos formadores de opinião informações sobre causas, formas de prevenção, necessidade de detecção e vacinação entre a população em geral. A publicação tem tiragem de cinco mil exemplares e esta sendo distribuída para comunicadores cadastrados e a entidades de classes como sindicatos, associações e câmaras técnicas para distribuição entre seus associados.
“A idéia de elaboração deste material surgiu num seminário ocorrido no Rio de Janeiro, no ano passado, que reuniu comunicadores de 14 estados para discutir e se informar sobre o tema”, comenta a médica Gerusa Figueiredo, coordenadora do PNHV.
Segundo ela, na ocasião, foi verificada a necessidade de se adaptar para linguagem jornalística informações sobre as hepatites virais, de forma a colaborar para a desmistificação do tema e a quebra de preconceitos. Em forma de pergunta e resposta a publicação aborda especificidades das hepatites A, B, Delta e E , dedicando-se também a informações sobre co-infecções com o HIV. O jornalista Liandro Lindner, consultor do programa se dedicou a colher as principais duvidas e necessidades dos profissionais e organizou a publicação a partir deste levantamento.
A hepatite pelo vírus B representa um dos maiores problemas de saúde pública mundial, tanto por sua magnitude quanto por estar relacionada a formas crônicas, cirrose e câncer primário do fígado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que haja na América Latina e no Caribe, aproximadamente 400.000 novas infecções pelo vírus da hepatite B a cada ano. A hepatite C é uma infecção recentemente identificada e de progressão geralmente lenta. Sua maneira de ocorrência e prevalência na população ainda não estão completamente elucidadas. O agente etiológico da infecção é o vírus da hepatite C (HCV), identificado em 1989.
De acordo com a OMS, estima-se haver 170 milhões de pessoas infectadas pelo HCV, aproximadamente 3% da população do planeta. O HCV é quase cinco vezes mais disseminado pelo mundo que o HIV e calcula-se que de três a quatro milhões de novas pessoas se infectem a cada ano. Nos EUA, a hepatite C tornou-se a principal causa de doença hepática crônica e a indicação mais comum de transplante hepático.
O material também pode ser acessado também através do site http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/hepatites_abcde.pdf.
Fonte: PNHV - Forum Nacional de Hepatites
1.10.06
FORUM NACIONAL DE HEPATITES - Mais um espaço virtual para discussão e união em rede.
Recebemos do companheiro Jorge Alves - Associação Carioca de Redução de Danos- ACRD e coordenador do Fórum Nacional de Hepatites o convite abaixo. Devemos estimular e participar de ações positivas como esta, que visa o fortalecimento da rede de hepatites.
Peço a todos os associados que divulguem em suas listas a existência do Fórum Nacional de Hepatites e qual é a dinâmica de seu funcionamento.No Fórum todas as mensagens são lidas e respondidas por todos, caso o desejem, é um espaço democrático e de todos nós, justamente para poder facilitar as ONGs de Hepatites do Brasil a estarem permanentemente em contato, trocando informações, idéias, divulgando novidades, etc.....Solicito também que qualquer matéria sobre as Hepatites Virais que cada um tenha acesso, que coloque na REDE para que todos nós possamos compartilhar de um conhecimento Global e Nacional.Também podemos divulgar eventos Regionais e Nacionais, trocar tecnologias, falar de tratamento, prevenção, formulação de projetos que podem ser promovidos por várias ONGs em parcerias, enfim, é o espaço que estava faltando para o Movimento Nacional de Hepatites se comunicar e se articular.Aqui também podemos formular propostas de militância, todos sabemos que o PNHV é um segmento do MS que tem uma receita muito pequena, em relação a AIDS, TB, Hanseníase, etc..... Aqui podemos por exemplo enviar uma "chuva de e-mails" para o MS solicitando que o PNHV seja fortalecido e tenha uma verba maior para ações operacionais. Aqui podemos influenciar e ajudar a melhorar este órgão tão importante para todos nós que é o PNHV. Desejo que todos sejam bem vindos a este espaço.
Um grande abraço a todos. Jorge Alves.
Peço a todos os associados que divulguem em suas listas a existência do Fórum Nacional de Hepatites e qual é a dinâmica de seu funcionamento.No Fórum todas as mensagens são lidas e respondidas por todos, caso o desejem, é um espaço democrático e de todos nós, justamente para poder facilitar as ONGs de Hepatites do Brasil a estarem permanentemente em contato, trocando informações, idéias, divulgando novidades, etc.....Solicito também que qualquer matéria sobre as Hepatites Virais que cada um tenha acesso, que coloque na REDE para que todos nós possamos compartilhar de um conhecimento Global e Nacional.Também podemos divulgar eventos Regionais e Nacionais, trocar tecnologias, falar de tratamento, prevenção, formulação de projetos que podem ser promovidos por várias ONGs em parcerias, enfim, é o espaço que estava faltando para o Movimento Nacional de Hepatites se comunicar e se articular.Aqui também podemos formular propostas de militância, todos sabemos que o PNHV é um segmento do MS que tem uma receita muito pequena, em relação a AIDS, TB, Hanseníase, etc..... Aqui podemos por exemplo enviar uma "chuva de e-mails" para o MS solicitando que o PNHV seja fortalecido e tenha uma verba maior para ações operacionais. Aqui podemos influenciar e ajudar a melhorar este órgão tão importante para todos nós que é o PNHV. Desejo que todos sejam bem vindos a este espaço.
Um grande abraço a todos. Jorge Alves.
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